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Silves: Acervo do Museu da Cortiça ameaçado por falência da Fábrica do Inglês

Em causa está "a preservação do maior acervo documental do mundo sobre a história da indústria da cortiça", fez notar o director do museu, Manuel Ramos.

"São mais de 150 anos de maquinaria e documentação comercial, que pode agora ficar degradado ou ser vendido a retalho para que a sociedade possa honrar os seus compromissos", observou.

Segundo aquele responsável, a situação financeira da sociedade proprietária do complexo de lazer "é bastante grave", prevendo-se que a Fábrica do Inglês "feche a qualquer momento e, com ela, o seu museu".

"A administração disse-me que poderá decidir encerrar ainda neste mês de Dezembro, pois não tem havido condições para pagar contas, nomeadamente seguros, água, electricidade e tudo o que garantiria a segurança do espaço", explicou à Agência Lusa.

De acordo com fonte da sociedade, as dívidas ascendem aos 6,5 milhões de euros, referentes na sua maioria ao pagamento de hipotecas vencidas em Novembro.

Numa tentativa de manter em funcionamento aquele que é um dos principais equipamentos turísticos da cidade e de preservar o acervo do museu, "a administração da sociedade propôs ao Município de Silves o estabelecimento de um protocolo para arrendamento do espaço", explicou o vice-presidente da autarquia.

Segundo Rogério Pinto, o município aguarda um parecer jurídico pedido na semana passada com carácter de urgência para apurar a viabilidade da proposta. "Esperamos que chegue até à próxima segunda-feira para que possamos discuti-lo na próxima reunião do executivo", disse.

Mas o assunto está a gerar posições radicais entre as forças políticas. A oposição socialista entende que o apoio da autarquia ao empreendimento privado deve ser referendado, inclusive a eventual compra do imóvel.

Contactada pela Lusa, a presidente da autarquia Isabel Soares não comenta o assunto, até pelo facto de ser irmã do presidente do conselho de administração da empresa José António Silva. O empresário, por seu lado, considera inoportuno pronunciar-se quando aguarda uma resposta do município à proposta da sociedade.

Manuel Ramos reconhece que "a sensibilidade local está a degradar-se" com o debate político, mas defende que "só a intervenção pública pode garantir a preservação do acervo do museu", quando "os bancos estão na iminência de executar as hipotecas em atraso".

Igualmente preocupado está o director do Museu de Portimão, recentemente distinguido com o prémio do Conselho da Europa, por recomendação do Fórum Museológico Europeu. Em declarações à Lusa, José Gameiro apelou à intervenção da Direcção-Geral da Cultura, do Instituto dos Museus e da Conservação, do Conselho Internacional de Museus e da Secretaria de Estado do Turismo para acautelar a integridade de um acervo que, na sua opinião, "tem uma forte componente identitária de Silves e do Algarve que não se pode perder".

O Museu da Cortiça da Fábrica do Inglês foi inaugurado em 1999, após a recuperação e transformação da antiga fábrica Avern, Sons & Barris num parque de cultura, animação e lazer. Empresários locais investiram cerca de 12,5 milhões de euros no projecto, que beneficiou de apoios comunitários na ordem dos 500 mil euros.
Em 2001, foi distinguido pelo Fórum Museológico Europeu com o Prémio Micheletti para Melhor Museu Industrial da Europa, tendo recebido nesse ano mais de 100 mil visitantes. Com o esgotamento do modelo de negócio da Fábrica do Inglês nos últimos anos, tem-se registado cerca de 30 mil entradas anuais.

De acordo com a proposta apresentada pela sociedade à autarquia, manter as portas do complexo abertas custa cerca de 11 mil euros por mês.

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