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A cruz e o ícone mariano da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) visitaram ontem o Estabelecimento Prisional de Faro.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Os símbolos estiveram presentes num encontro ecuménico com a participação de representantes da Igreja Católica e da Igreja Evangélica, as duas principais confissões religiosas a prestar assistência espiritual aos reclusos daquela penitenciária.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“É sempre bom cuidar desta parte espiritual deles porque estão aqui em sofrimento e isto é uma força que lhes é transmitida para enfrentar a reclusão e os preparar para a reintegração social”, disse ao Folha do Domingo, o diretor daquele Estabelecimento Prisional.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Alexandre Gonçalves, que também é diretor do Estabelecimento Prisional de Olhão, contou que no de Faro, com a capacidade máxima ultrapassada em 18 condenados, são acolhidos 120 homens, incluindo vários estrangeiros. “Já houve uma altura em que ultrapassou os 200”, recordou.

O cónego Carlos César Chantre, sacerdote da equipa do Setor da Pastoral Prisional da Diocese do Algarve responsável por acompanhar aquela comunidade prisional, explicou o convite à Igreja Evangélica para estar presente naquele evento promovido pela Igreja Católica. “Resolvi convidar a Igreja Evangélica para estar connosco porque um dos objetivos da JMJ é a unidade dos cristãos”, justificou, acrescentando que “numa prisão não pode haver fronteiras de religião”. “Somos todos filhos de Deus e é neste sentido que viemos confortar com estes símbolos as pessoas que estão aqui dentro. Este abraço ecuménico é uma das orientações do Santo Padre”, sustentou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Também o pastor Rodrigo Sequeira realçou a importância de se enfatizar a comunhão entre as diferentes confissões cristãs. “Entre nós podemos estar organizados de diferentes formas, mas diante de Deus é só uma Igreja. Portanto, temos de trabalhar naquilo que temos em comum”, considerou, garantindo que a assistência espiritual a reclusos “é um trabalho extremamente grato”. “Quando qualquer pessoa, independentemente da conduta que tem, se abre para Deus é tremendo ver a forma como sente a mesma paz que qualquer outra pessoa porque Jesus veio para todos. Veio para os doentes. É tremendo ver como estes homens, que aqui estão fechados, como eles podem, se quiserem, encontrar Deus da mesma forma que qualquer outro ser humano”, completou.

Aquele representante da Igreja Evangélica lembrou ainda que aqueles símbolos “foram criados diratemente para uma mensagem de paz”. “Isso é bom e muito importante”, considerou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O sacerdote católico chegou acompanhado por alguns colaboradores. Presentes estiveram também o padre António de Freitas, um dos responsáveis pela programação da visita dos símbolos nas paróquias da vigararia de Faro, e Vânia dos Santos, coordenadora do Setor da Pastoral Juvenil da Diocese do Algarve e membro do Comité Organizador Diocesano da JMJ 2023 em Lisboa.

O padre António de Freitas disse que o significado de irem ali “é muito”. “Por um lado, vimos aqui como este rosto de Deus que vem dizer-vos que vos ama. Mas também cada um de vocês se torna rosto de Deus para cada um de nós”, acrescentou, prosseguindo: “esta cruz que está aqui é um símbolo que nos lembra que Deus nos ama como somos”. “Deixem que Jesus entre na vossa vida. Deixem-se amar e libertar”, pediu. “Seguindo Jesus nós conseguimos novamente a liberdade física, exterior, mas também a interior”, sustentou.

Depois da entrada da carrinha que transportava os símbolos, alguns reclusos foram chamados para ajudar a levá-los para o pátio interior onde teve lugar o encontro. O cónego César Chantre começou por se dirigir aos presos lamentando que estejam a “passar por momentos de sofrimento”. “Vocês estão aqui, como nós podíamos estar. Hoje estão vocês, amanhã estamos nós. Lá fora e cá dentro somos todos filhos do mesmo Deus”, disse aos cerca de 50 reclusos presentes.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O sacerdote pediu a cada um deles que fizesse em silêncio uma oração a Deus na presença da cruz e do ícone. “Que esta seja uma casa de fraternidade”, desejou, explicando o que se trata a peregrinação dos símbolos e o que será a JMJ em Lisboa.

Também o pastor evangélico fez uma oração e apresentou uma breve reflexão sobre o significado da cruz para os cristãos.

No final, já os reclusos estavam a ser reconduzidos às celas, quando alguns pediram aos guardas prisionais para regressar ao pátio para poderem tocar a cruz.

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