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Simpósio da Igreja algarvia sobre o Concílio Vaticano II deixou desafios

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Abertura do Simpósio.
© Samuel Mendonça

As conclusões do simpósio sobre o Concílio Vaticano II que a Igreja Católica do Algarve realizou este fim de semana no salão paroquial de São Luís, em Faro, participado por cerca de 300 católicos de vários pontos do Algarve, apontam diversos “desafios”.

“A necessidade de um olhar equilibrado e purificado entre a dimensão espiritual da Igreja e a sua organização estrutural”, é o primeiro deles. Neste âmbito, sublinha-se que “nem o absolutismo das estruturas, nem o misticismo desencarnado e subjetivo servem a Igreja”, advertindo-se para o perigo do “cultivo de uma excessiva preocupação com a glória e poder terrenos”.

Por outro lado, a Igreja algarvia destaca que deve “valorizar-se a dimensão da caridade como energia espiritual, privilegiando a atenção e o serviço aos pobres e sofredores” e que importa “reconhecer que a fragilidade da Igreja implica uma conversão contínua e permanente de todos os seus membros”.

As conclusões do simpósio, que permitiu “tomar maior consciência da identidade e da missão da Igreja e da sua relação com o mundo”, apontam ainda para a necessidade de “apontar caminhos novos inspirados na Verdade do Evangelho”, de uma “permanente valorização da vida cristã e ministerial e de uma justa e fecunda participação eclesial” e de um “novo olhar sobre as estruturas da Igreja, privilegiando-se a sua dimensão espiritual e realçando a comum vocação de todos à santidade”.

Pede-se uma “atitude de conversão permanente” e que os cristãos algarvios continuem a percorrer “caminhos da Sinodalidade, da Colegialidade e da fraternidade”, sem descurarem a evangelização, “particularmente dirigida às periferias existenciais, às famílias e aos jovens”.

O “acolhimento” e a “formação”, “dando maior qualidade e atenção à Catequese e à disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica”, são outras das preocupações manifestadas no documento conclusivo do simpósio onde se reafirmou a “necessidade urgente da Igreja não descurar como missão prioritária o serviço do Evangelho”.

Lembrando que “a Igreja (…) deve saber ler os sinais dos tempos e compreendê-los à luz da fé e do Evangelho”, diz-se ser “urgente interpelar com o Evangelho, a vida concreta, pessoal e social dos homens, os direitos e deveres de toda a pessoa humana, faces da mesma moeda, a vida internacional, a paz, a justiça, como justiça distributiva que a todos envolve, o desenvolvimento, novo nome da paz”.

O documento, salientando que “as culturas, a técnica, a ciência, o trabalho humano, a política são realidades carregadas de valores positivos que podem predispor para o acolhimento da mensagem evangélica”, apela ainda à “responsabilidade dos cristãos na política” e apresenta alguns “princípios fundamentais” da “relação da Igreja com o mundo”.  “Recuperar a recusa da lógica do imediatismo; recuperar a recusa da lógica do lucro fácil; recuperar a recusa da lógica das meras aparências; recuperar a ligação entre solidariedade e Caridade; recuperar o valor da sobriedade; a necessidade de percebermos que temos que contrariar as desigualdades promovendo a justiça distributiva; a necessidade de percebermos que é a democracia que constrói a cidadania; o facto de ser indispensável compreendermos que a caridade deve ser garantida e exercida na Verdade; a importância da Igreja perceber e viver com fecundidade a noção do Povo de Deus” são os pontos enumerados.

Juntam-se a estas sugestões para crescimento da Igreja algarvia, as saídas do congresso sobre o mesmo concílio que a diocese algarvia realizou em fevereiro de 2000, sob o tema “No limiar do III Milénio Cristão, o Algarve revê-se à luz do Vaticano II”, com a participação de 485 congressistas. Na altura, as conclusões apontavam, entre outras sugestões, para a necessidade de “reforçar o papel das vigararias (circunscrições eclesiásticas das quais fazem parte várias paróquias) de modo a que venham, tendencialmente, a constituir unidades de coordenação pastoral”, de “promover encontros entre movimentos laicais para conhecimento mútuo e, se possível, a criação de um Secretariado Diocesano para os Movimentos”, de “criação da Comissão Diocesana Justiça e Paz” e de “formar nas paróquias equipas de pais que promovam a ligação entre a Igreja, a Escola e a Família”.

O bispo do Algarve, ontem, no encerramento do simpósio, dizia aos participantes que têm agora a “missão de enriquecer” as comunidades paroquiais e a Igreja diocesana. Neste sentido, aludiu a uma imagem deixada por João XXIII, a da “janela aberta” “por onde entra o Espírito que rejuvenesce, que movimenta, desinstala, que não deixa ninguém acomodado, que fortalece”. “Essa mesma «janela» permitiu que a Igreja olhasse para o mundo e começasse esse diálogo tão enriquecedor entre a Igreja e o mundo”, sustentou, apontando ainda à imagem da “porta aberta da fé”, relativa ao Ano da Fé (de outubro de 2012 a novembro de 2013) que a Igreja ontem encerrou, como aquela “que é preciso escancarar, abrir para que todos possam entrar e encontrar Cristo”.

Por fim, D. Manuel Quintas referiu-se à imagem de “Cristo, rei e Senhor”, uma solenidade que também Igreja também celebrou ontem. “Só uma Igreja serva e pobre é que pode ser sinal deste Cristo rei e servo. Só uma Igreja desprendida, serva e pobre é que será, adequadamente, sensível para chegar às periferias humanas”, concluiu.

Encerramento do simpósio pelo bispo do Algarve, D. Manuel

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