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Nuno Manjua, delegado regional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses
Nuno Manjua, delegado regional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses

O coordenador do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses no Algarve advertiu ontem que as condições de higiene no Serviço de Urgência Básica de Albufeira estão a degradar-se por falta de recursos humanos, aumentando o risco de infeções para utentes e profissionais.

Em declarações à agência Lusa, Nuno Manjua disse que as dificuldades de recursos humanos dos serviços de Saúde no Algarve e as faltas de material estão “a prejudicar os serviços prestados” e a causar o esgotamento dos trabalhadores em funções, que são “cada vez menos” e “chegam a fazer turnos de 16 horas”, mas a situação em Albufeira é a mais grave, porque neste momento não há um único assistente operacional para fazer escalas.

“Existe um transporte da Administração Regional de Saúde que leva esses assistentes operacionais do Centro de Saúde de Olhão para o de Albufeira, mas esses assistentes estão até às 18:00/20:00 e depois já não existem assistentes operacionais. Das 00:00 de domingo às 00:00 de segunda-feira, não houve único assistente operacional”, denunciou o sindicalista, sublinhando que neste período não houve trabalhos de limpeza no Serviço de Urgência Básica (SUB).

Segundo o responsável, a ausência destes profissionais em alguns turnos está a fazer com que haja ambulâncias retidas durante algum tempo, porque não há macas disponíveis, limpas, para passar os doentes.

“Temos situações de utentes que, ou por não quererem estar à espera ou por não saberem da situação, se deitam em macas que não estão limpas e onde outros se deitaram antes, macas sujas e conspurcadas há mais de 12 horas”, criticou.

Nuno Manjua exemplificou ainda que a falta de um assistente operacional para levar, por exemplo, um doente ao RX implica que esse mesmo doente seja transferido para Loulé ou para Faro para fazer a radiografia, com implicações nos custos para o Serviço Nacional de Saúde.

Houve também, disse, “utentes que precisavam de ser suturados, mas como as salas não estavam limpas tiveram que ir ao hospital de Faro” para poderem ser tratados.

“É sangue, é vómito, são salas que não são limpas depois de terem sido feitas suturas… Isto tem consequências para os utentes, porque aumenta o risco de infeção, mas também para quem lá trabalha, que está sujeito a riscos agora acrescidos, porque habitualmente já há esse risco mas agora é maior”, alertou.

O sindicalista disse que se assiste também a uma “tremenda falta de material” e se os profissionais “quiserem fazer um aerossol a um adulto ou uma criança, não há esse material”, enquanto se assiste também a “material esterilizado que já expirou o prazo”.

“E estamos a falar de um SUB que está no centro do Algarve, equidistante da urgência de Portimão e de Faro, que durante todo o ano é dos que mais utentes recebem. E supera durante o verão as urgências de Faro e Portimão”, precisou.

Nuno Manjua disse que nestas condições “é complicadíssimo dar respostas” e os profissionais já começam a ser hostilizados pelos utentes que não conseguem obter o atendimento que pretendiam em Albufeira.

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