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Em declarações à Lusa, Armando Costa, da Comissão de Trabalhadores da Groundforce, disse que a contratação por parte da empresa de trabalho temporário Adecco para a Portway vem demonstrar que “afinal é uma falsa questão dizer que a Groundforce fechava a escala de Faro devido à falta de clientes”.

Isto “quer dizer que os clientes existiam”, afirmou o representante dos trabalhadores da empresa de handling que viu a sua operação encerrada no aeroporto de Faro com o despedimento coletivo dos trabalhadores neste aeroporto.

Armando Costa defendeu ainda que a formação dada a esses trabalhadores temporários “é muita curta e põe em causa o próprio serviço”, uma vez que estes “não dispõem da experiência que os trabalhadores da Groundforce tinham por anos de trabalho” no aeroporto.

“O mais grave é que as duas empresas são tuteladas pelo Estado, que fechou uma da empresas no Algarve, despediu 360 trabalhadores, com o argumento de a Autoridade da Concorrência ter dito que a TAP não podia ter 100 por cento da Groudforce. Mas não vemos a Autoridade pronunciar-se sobre o aeroporto só ter uma empresa de handling [a Portway]”, afirmou.

Para este membro da Comissão de Trabalhadores, está em causa “retirar direitos e baixar salários aos trabalhadores, dando dinheiro às empresas de trabalho temporário”.

André Teves, do Sindicato dos Trabalhadores de Handling de Aeroporto (STHA), também disse à Lusa que “é óbvio que está ligado o despedimento coletivo com essa contratação que a Adecco está a fazer para a Portway”.

“Em termos de proporcionalidade é que não é a mesma”, acrescentou, frisando que a oferta agora publicada pela Adecco é para 20 vagas e foram despedidos 360 trabalhadores da Groundforce.

No entanto, segundo disse ainda a fonte, “os clientes que estavam com a Groundforce, ao passarem para Portway, geram uma necessidade de recursos humanos” que “não existiria nesta época” se ainda se mantivessem as duas empresas a funcionar.

“Prova que não era preciso encerrar nem fazer esse despedimento coletivo”, afirmou, acrescentando que “só pela não intervenção política e que chegámos a este ponto”.

Um dos trabalhadores que concorreu à oferta da Adecco para ocupar uma das vagas na Portway contou à agência Lusa que enviou um email a candidatar-se na quinta-feira, teve uma entrevista na sexta e na segunda iniciou logo a formação de “cinco dias úteis, das 07:00 às 14:00, mais dois dias de complemento teórico”.

“Depois são 12 dias de ‘training on job’ [treino a trabalhar] sem receber e, antes de entrar, tivemos de transferir 50 euros para a conta da Portway e vão ser-nos descontados 100 euros dos primeiros três vencimentos”, acrescentou esta fonte, frisando que só depois assinam um contrato de um mês.

A Lusa tentou obter uma reação da Adecco e da Portway mas não conseguiu em tempo útil.

Lusa

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