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“Temos um problema que é termos bons solistas mas sermos maus a trabalhar em orquestra e isso tem a ver com as limitações históricas”, disse o professor catedrático, durante a sessão inaugural do Curso de Medicina que decorreu ontem na Universidade do Algarve (UAlg).

Os “minifundiários” e as “pequenas invejas” que existem na área da Medicina são “defeitos culturais e não genéticos”, referiu Sobrinho Simões, remetendo os problemas actuais para o monolitismo da Universidade de Coimbra, a existência de um cirurgião-mor, a recusa de estrangeirados, a exaltação da retórica, o Estado Novo e a Inquisição.

O professor catedrático defende que os alunos deviam ser entrevistados antes de entrarem para um curso de Medicina, embora reconheça que seria difícil aplicar a medida a nível nacional.

“Temos de ter um sistema de recrutamento com avaliação curricular e os candidatos têm que ter provas escritas e entrevista”, disse.

Sobrinho Simões defende também a existência de um hospital universitário nuclear e de centros de saúde e unidades de saúde familiar ao mesmo nível.

“Há uma deficiente comunicação entre hospitais e centros de saúde e as estruturas universitárias, escassa sensibilidade do Ministério da Saúde para os problemas académicos e ausência de articulação interministerial”, critica.

Na opinião de Manuel Sobrinho Simões, existem bons médicos em Portugal mas o ensino da prática apresenta problemas.

“Temos histórias de solistas com sucesso, temos investigação biomédica de qualidade, temos tradição de avaliação externa com consequências, internacionalização consolidada e base populacional diversificada extraordinária para a formação médica. O nosso problema é que temos de melhorar o ensino médico e a organização do ensino”, sustenta.

O Curso de Medicina da UAlg abriu em Setembro deste ano, vai na 13ª semana de existência, mas só ontem foi oficialmente inaugurado com a sessão denominada “Formação Médica e Saúde em Portugal", proferida por Manuel Sobrinho Simões.

“É um dia de festa na Universidade do Algarve. Para nós, é um marco importante a criação deste curso, por ser inovador nas metodologias utilizadas em relação ao clássico curso de Medicina”, declarou João Guerreiro, recentemente reeleito reitor da UAlg.

José Ponte, mentor do novo Curso de Medicina, afirmou que este vai ter um impacte na região que se notará num prazo de 15 a 20 anos. “É uma história com final feliz”, disse, argumentando que o Curso de Medicina do Algarve é já considerado o “número um no mundo ao nível de cuidados primários”.

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