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Em comunicado, a associação defende que “não é possível viver-se num sistema de obrigações permanentes, de intranquilidade, de suspeição, de multas e coimas sem que se entenda o porquê, de penhoras sem aviso, de presunções de lucros que não se verificam”.

Recorde-se que no mês passado, o diretor executivo regional da AECOPS (Associação de Empresas de Construção, Obras Públicas e Serviços), Manuel Gonçalves, tinha já alertado em declarações ao FOLHA DO DOMINGO para a grave situação que o sector da construção atravessa. Para esse responsável a situação algarvia é a mais complicada no país, uma vez que “o Algarve é afetado pela falta de investimento estrangeiro, pela falta de investimento público e pela dificuldade que os portugueses têm no acesso ao crédito para poder escoar os fogos que no âmbito da produção imobiliária também foram construídos e também não se conseguem vender”.

Manuel Gonçalves alertou ainda para a necessidade de fazer algo já que “se o Governo não criar aqui nenhuma medida que permita que as empresas possam receber, pelo menos, uma grande parte daquilo que são as dívidas das autarquias, prevê-se despedimentos na ordem dos 1600/2000 trabalhadores até ao final do mês de junho”.

Esta denúncia por parte da CEAL acontece depois do suicídio, na passada quinta-feira, do empresário de 59 anos José António Banha, da empresa Banha e Viegas, uma das empresas mais bem conotadas na área da construção civil do Algarve. Este suicídio é apontado pela associação como “um exemplo da saturação e da incapacidade do sistema na resolução dos problemas”.

A associação adverte ainda que “a continuar assim, os empresários devem entregar as chaves das empresas, para que sejam os burocratas a gerir e a pagar os salários”, deixando também o conselho de “corrigir com responsabilidade” para que o setor não viva “em permanente intranquilidade e insegurança”.

Liliana Lourencinho

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