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“O nosso tipo de caridade são as obras de misericórdia espirituais: ensinar, aconselhar, comunicar a verdade, iluminar as consciências e a mente. Esta é a parte mais bonita da caridade”, afirmou ao Folha do Domingo a irmã Maria Antonieta Bruscato, que esteve de passagem por Portugal no final do mês de fevereiro para visitar as comunidades da congregação na preparação para o Capítulo Geral (reunião magna) no próximo mês de agosto.

Aquela responsável, que esteve também no Algarve pela segunda vez, defende ainda que a congregação precisa “tomar medidas mais sérias para a formação das novas gerações”, com vista a responder ao desafio das novas tecnologias. “É um grande desafio, sobretudo para as irmãs que têm mais idade, porque hoje não podemos não usar estes meios”, considera, sublinhando que o instituto paulino continua a utilizá-los para a evangelização ao nível da “comunicação da fé e do conteúdo da religião”, da “propaganda dos livros e produtos” e também da “pastoral vocacional”.

“Não é fácil porque temos ainda uma mentalidade livreira e as nossas estruturas apostólicas são ainda em torno do livro”, reconhece a irmã Antonieta Bruscato, identificando as principais dificuldades nesta área. “Exige também um esforço do ponto de vista económico. São instrumentos que estão em constante evolução e, constantemente, temos de atualizá-los. Também há a dificuldade de linguagem”, destaca, reconhecendo a dificuldade em acompanhar o ritmo da evolução tecnológica.

Precisamente, o trabalho da congregação na área da evangelização foi o que levou o então Papa Bento XVI a voltar a convidar a irmã Antonieta Bruscato para participar no último Sínodos dos Bispos sobre “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”, ela que já tinha sido convidada a participar no sínodo de 2008. “Foi uma experiência eclesial muito forte. Aprendi muito nessa convivência com os cardeais, os bispos e as restantes pessoas que vieram de muitas partes do mundo”, sublinha a consagrada que participou naquela iniciativa como auditora (ouvinte).

Aquela responsável testemunha que “os padres sinodais não tiveram a preocupação de apontar os problemas e dificuldades, mas a de perceber como comunicar o evangelho hoje, nesta realidade que é muito complexa”. “As pessoas sentem a necessidade de Deus mas não gostam muito de estruturas. Um caminho eficaz que foi apresentado foi o da beleza”, refere, sustentando ser preciso “mostrar a fé como algo que dá entusiasmo e alegria e não como um peso ou obrigação”. “As pessoas de hoje já estão sobrecarregadas de preocupações. É preciso apresentar a fé como algo que vem ao nosso encontro e nos liberta. A fé não é tanto a apresentação de uma ideia, de um ideal moral, mas um encontro com uma Pessoa viva que nos ama e não nos julga ou condena”, complementou.

A congregação paulina está a preparar-se para celebrar o centenário da fundação, em 2014. Depois daquele início veio a expansão e a consolidação do instituto que agora vive um “período de envelhecimento, sobretudo nos países europeus”, como testemunhou a superiora geral. “Neste momento, a crise vocacional está presente em todos os países da Europa. Há um crescimento muito bom na África e também em alguns países da Ásia como a Índia, Coreia ou Paquistão”, explicou, frisando que neste país “os católicos têm a consciência e vivem a fé e as vocações nascem nesse ambiente”, embora as irmãs vivam “sempre sobressaltadas”. “Não é tanto por se ser cristão. É porque o país vive na violência”, sublinha, garantindo no entanto, que “geralmente, as irmãs são respeitadas”.

Samuel Mendonça

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