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Sustentabilidade é o mote da Bienal Ibérica de Património Cultural em Loulé

Foto © Mira/CML

A Bienal Ibérica de Património Cultural elegeu a Sustentabilidade como mote da edição deste ano, que serve de base às muitas atividades que acontecem em Loulé entre 11 e 13 de outubro, revelou na terça-feira a organização aos jornalistas.

Durante três dias, há setes espaços na cidade que acolhem diversos eventos, para além das muitas atividade pelo concelho, que pretendem “valorizar o património” e mostrar como essa riqueza pode ser “promotora de um desenvolvimento harmonioso do pais” defendeu Catarina Valença Gonçalves, da empresa Spira, a promotora da Bienal.

A escolha da sustentabilidade como tema desta edição baseia-se na essência do que é o Património Cultural, com algo que “reconverte, se reforma e permanece útil”. Procura-se mostrar que “não são só pedras” a fazer o património, também são as pessoas e a sua cultura.

Roteiros temáticos propõem aos visitantes, por exemplo, incursões diversas ao património da cidade ou do concelho de Loulé, aos recursos naturais, à paisagem da serra ou ao património histórico e gastronómico. Vai ser possível, também, participar em ateliers de ‘figos cheios’, de esgrafitos decorativos ou pintura de frescos diversos, além de demonstrações de técnicas artesanais de palhinha ou empreita, ‘video mapping’ e muitas outras atividades.

Por isso, considera a organização da bienal, a experiência tem de ser vivida, não sendo necessário “dar a volta” ao património cultural para que possa ser mostrado a crianças e adultos, afirma Catarina Valença Gonçalves, defendendo que quem domina a matéria é que tem de saber “criar formas” para o mostrar.

“É possível falar do Infante D. Henrique, fazendo uma comparação com os heróis de hoje em dia, como o Cristiano Ronaldo, e depois andar para trás, para que percebam o conceito de uma pessoa que é extraordinária no seu tempo”, afirma.

Muitas vezes, os adultos são os primeiros a dizer que o património “é uma ‘seca’” e, por isso, a organização pretende que as atividades do evento desmistifiquem esse conceito, permitindo também que coloquem “as mãos na massa” e percebam que, por exemplo, quando visitam um castelo, “há muito saber que está lá, não se vê, mas que foi necessário para o construir”.

É importante conhecer os “bastidores do património cultural”, defende.

Depois do Mar, o património cultural é o “segundo recurso endógeno” com a capacidade efetiva de ser promotor de um desenvolvimento harmonioso do país, defendeu. São como “pequenas ‘Auto-Europa’ espalhadas pelo país” que não são valorizadas, por não haver “políticas de educação patrimonial”, afirma a organizadora.

Por isso a descentralização é uma das bases desta bienal, que se realiza nos anos pares em Valladolid, em Espanha, e, nos anos ímpares, numa cidade Portuguesa.

Para a organização, foi “com prazer” que aceitaram o desafio de trabalhar a totalidade do concelho criando vários roteiros, desde o mar à serra, com que pretendem mostrar a “diversidade do Património Cultural de todo este território”.

O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, considera que o Algarve tem para mostrar ao país muito mais do que a sua atividade turística, “que é muito boa e recomenda-se”. Mas a região possui outros aspetos igualmente importantes e que podem resultar num “enriquecimento da sua oferta turística, que é o seu património”. Daí terem aderido “de alma e coração” à organização desta bienal em Loulé.

Para Vítor Aleixo, é importante conseguir mostrar ao país essa riqueza, criando-se, assim, mais motivos para que os turistas “subam até ao interior” e possam desfrutar do que é a sua história, a sua identidade profunda, a sua cultura e o seu património.

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