Pub

A instituição benzida hoje é constituída pelo lar com capacidade para 40 idosos (oito dos quais enviados pela Segurança Social) e pela creche ‘O Bambino’ que acolhe 66 crianças dos zero aos três anos.

D. Manuel Quintas, que hoje iniciou a visita pastoral às paróquias de Tavira, começou por lembrar que estas obras são “obrigação” da Igreja. “Nós, Igreja, temos a obrigação de nos dedicar a estas obras sociais porque é por aqui que passa a verdade da nossa fé e da nossa oração”, advertiu o prelado, considerando que a Igreja tem “obrigação de responder às insuficiências da sociedade de hoje”. “Estas obras têm que ser expressão da fé que une e reúne a comunidade paroquial. Disse-nos este Papa que «a verdade da nossa participação na eucaristia passa pelo modo como vivemos a caridade»”, acrescentou.

O bispo diocesano explicou ainda que “a bênção de Deus não é para as paredes, mas para as pessoas”, “para que a sua vida seja fecunda, feliz e possa fazer felizes os outros” e lembrou que “é o amor que dá qualidade à vida”. “A nossa vida será mais ou menos feliz quanto mais ou menos intenso for o amor com que vivermos e que partilharmos uns com os outros. O que dá qualidade à nossa vida, não são os muitos ou poucos anos que possamos viver, mas é a intensidade de amor que colocamos em cada dia e em cada gesto”, defendeu.

D. Manuel Quintas, que considerou “enriquecedor” o diálogo entre a infância e a terceira idade, destacou igualmente o diálogo entre instituições. “É o diálogo interinstitucional que permite que, nos dias de hoje, possamos realizar «milagres» como este”, sustentou o bispo do Algarve que incentivou a direção da instituição à superação das contrariedades. “As dificuldades são muitas mas vale a pena o sacrifício pelos frutos que esta instituição já está a produzir”, afirmou, lembrando as dívidas “controláveis” daquela obra.

A construção do Centro Intergeracional da Pegada custou 3,5 milhões de euros, tendo sido comparticipado pelo Programa de Alargamento da Rede Social (PARES) em cerca de 990 mil euros, pela Câmara Municipal de Tavira em cerca de 600 mil euros e pelos católicos das paróquias de Tavira em cerca de 150 mil euros. Presentemente, o Centro Social e Paroquial de Tavira –, que contraiu ainda um empréstimo bancário no valor de 1 milhão de euros para financiar a obra que deverá ser amortizado em 15 anos –, deve ainda 18 mil euros à empresa construtora.

O padre Flávio Martins considerou que aquela instituição “só é possível porque existe uma comunidade cristã na cidade de Tavira”. “É graças a estes irmãos que me precederam e a outros que fazem parte da direção, que hoje podemos estar aqui a realizar este ato”, afirmou o pároco de Tavira, lembrando que aquela é uma obra de todos. “Esta casa não é minha, nem da direção, nem da Igreja. É de todos nós e, por isso, somos todos que devemos zelar por ela, criar afeto, ternura e carinho por todos aqueles que cá vivem e trabalham”, referiu.

O prior, que agradeceu o “apoio do município de Tavira”, destacou que o Centro Social e Paroquial de Santa Maria conta já com 84 funcionários e que só a nova infraestrutura permitiu criar 44 novos postos de trabalho. Com uma área de construção de 2700 m2, o centro intergeracional tem duas diretoras técnicas, uma para o lar e outra para a creche, uma animadora, quatro educadoras, 10 auxiliares de ação educativa e conta com serviço de enfermagem diário e médico duas vezes por semana. A mensalidade paga pelos idosos possibilita ainda a prática de educação física, de atividades diárias de ocupação dos tempos livres e de saídas para visitas duas vezes por semana. A mensalidade paga na creche é de acordo com os rendimentos do agregado familiar.

O presidente da Câmara de Tavira aludiu à dificuldade de levar a cabo obras sociais nos “tempos que correm” e defendeu ser possível “gastar melhor o dinheiro”. “Do pouco que há temos de o direcionar para as obras que fazem falta. Para as famílias, para as crianças, para as obras que verdadeiramente importam, para fazer o bem e para criar postos de trabalho, a Câmara terá sempre um apoio”, prometeu.

A instituição, cuja primeira pedra foi lançada em janeiro de 2010 e que agora aguarda a formalização dos acordos com a Segurança Social, deverá ainda ser oficialmente inaugurada.

Samuel Mendonça

Pub