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TaxiÁguas, rebuçados, balões, lápis de cor, flores e mapas são alguns dos segredos de Henrique Amorim, taxista em Vilamoura, que acumula livros de recomendações dos clientes e até tem menções no guia turístico da Internet TripAdvisor.

Uma corrida no táxi número sete da postura de Vilamoura começa invariavelmente com a oferta de garrafas de água aos clientes, o que no calor do verão algarvio causa logo impacto na clientela composta, maioritariamente, por turistas estrangeiros.

Junte-se uma dose de simpatia e uma disponibilidade quase ilimitada e eis como Henrique Amorim, portuense de 47 anos, que há seis anos trabalha como taxista no Algarve entre abril e outubro, combate a crise.

“Gosto de pôr o cliente à vontade, quero que se sinta como se estivesse no seu próprio carro, porque assim vai-se libertando e ganha confiança em relação a mim. Gosto de falar com o cliente, de brincar um bocadinho, às vezes até gosto de falar um bocadinho com sotaque irlandês ou escocês e eles ficam admirados”, explica.

Cliente de uma vez é cliente para a vida, como o comprova os três volumes com centenas de páginas com recomendações, escritos nas mais variadas línguas e em que o denominador comum são os elogios e os agradecimentos. Há em russo, sueco, inglês, espanhol, alemão, francês, holandês, dinamarquês, norueguês, tailandês, chinês e português.

“Henry é o melhor taxista de sempre. Tão amistoso e generoso com os rebuçados, a água e a conversa. Quando regressarmos vamos pedir sempre os serviços excelentes de Henry”, escreveu uma família inglesa, declarando que “amaram” os rebuçados e os balões. “Henry é muito bom, faz-nos sentir em casa, é formidável, gentil e ótimo condutor e guia”, escreveu um passageiro da Ilha Maurícia.

Henrique Amorim contou à Lusa que o desemprego o levou a tirar a carta de taxista profissional há seis anos e desde essa altura que se entrega “com paixão” a conduzir os turistas aos seus destinos.

Recusa a ideia de que os presentes sejam apenas truques para obter gorjetas e prefere declarar que quando se envolve numa nova profissão, fá-lo com toda a dedicação.

“A emoção que sinto com estas mensagens é sentir-me realizado, porque sei que prestei um bom serviço”, desabafa, referindo que sente gratidão quando os clientes regressam no ano seguinte ou lhe telefonam no Natal a perguntar se está bem, porque “ficou a amizade para além do serviço”.

Isso mesmo atesta Felisbela Ramos e Helen Haslen. “Há turistas que chegam de uns anos para os outros e perguntam se podem ter o serviço do Henry novamente, sejam famílias com crianças, golfistas, casais, senhoras. Todos têm confiança no Henry para os transportar”, conta Felisbela Ramos, rececionista do resort Old Village, em Vilamoura.

Também a inglesa Helen Haslen define Henrique Amorim como um “fantástico taxista”, que dá sempre doces aos clientes e, sublinha, ser o único taxista que a autoriza a transportar o cão no táxi.

Os serviços especiais de Henrique Amorim, também conhecido como o “taxista da écharpe ao pescoço” ou António Banderas, pelas semelhanças com o ator espanhol, são também comentados na página do ‘TripAdvisor’, onde um passageiro de Liverpool publicou, em outubro de 2012, que passa férias no Algarve há seis anos e que usa “os serviços do Henry vastas vezes”.

O final de outubro assinala o fim de época laboral para Henrique Amorim e o regresso ao Porto. Torna a rumar ao sul em abril próximo, depois de uns meses de descanso.

O taxista sonha um dia colocar esta experiência num livro. A capa até já está escolhida: será um desenho feito por uma menina inglesa chamada Kate, onde aparece o táxi com o Henrique Amorim a conduzir e a família da menina a rir à janela do automóvel.

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