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“A oração como escuta da Palavra de Deus: da escuta nasce a Fé e o reconhecimento da presença de Deus» foi o tema central abordado por D. Manuel Quintas na terceira catequese quaresmal, que teve lugar no passado domingo, inserida na Oração de Vésperas transmitida a partir do Seminário de Faro.
Estas reflexões do prelado algarvio têm sido feitas a partir da temática «Viver a partir de Cristo», que começou precisamente por explicar que foi seu objetivo «prosseguir esta mesma reflexão, tendo presente a relação entre a Palavra de Deus e a oração», considerando que esta é uma «relação estreita e imprescindível, que faz emergir em todo o orante a atitude da escuta, como dimensão primária e essencial de toda a oração».
Alertando para a tentação de se fazer oração excessivamente preenchida com muitas palavras, o bispo do Algarve clarificou que «antes de se exprimir como invocação, a oração começa por ser escuta», acrescentando ainda que «a oração deve despertar naquele que ora, em primeiro lugar a disposição para escutar, e só depois para falar».
Deste modo, procurou frisar a importância do silêncio, mesmo «num tempo que não favorece o recolhimento» e em que o silêncio «assusta e incomoda». Para D. Manuel Quintas, o princípio que «sem silêncio não se sente, não se ouve e não se recebe uma palavra, é válido sobretudo para a oração pessoal, mas também para as nossas liturgias», porque, para que haja uma escuta autêntica, a oração pessoal e a oração comunitária «devem ser ricas de momentos de silêncio e de acolhimento não-verbal».
Percorrendo a Sagrada Escritura no que diz respeito à oração, foi referindo várias figuras bíblicas que são exemplo da oração, que tem como base o silêncio e a escuta ativa do crente. E, referindo o exemplo de Samuel, assinalou que este jovem, «ao saber que é Deus que o chama, manifesta total disponibilidade para O escutar: “fala, Senhor, porque o teu servo escuta-Te”», acrescentando que «nós, frequentemente, somos tentados a inverter, dizendo “Escuta-me, Senhor, porque o Teu servo fala contigo”».
Por isso mesmo, para D. Manuel Quintas, antes de mais, «a oração não é procura de Deus, mas resposta a Deus que nos procura a nós através da sua Palavra», sublinhando que «a substância da oração não está na forma, métodos, modalidades, mas na relação com Deus, tendo como fim a caridade, o amor: a oração é uma abertura à comunhão com Deus, e por isso mesmo ao amor, porque Deus é amor».
Concluindo esta terceira Catequese Quaresmal, o bispo diocesano expressou que «a oração, quando ancorada na Palavra de Deus, na pessoa de Cristo e na ação do Espírito Santo, realizada em comunhão eclesial, adquire garantia de fidelidade e fecundidade pessoal e pastoral». Assim, exortou os cristãos algarvios a aproveitar este tempo quaresmal para privilegiar a dimensão da escuta na vida de oração.

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