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Testemunho de S. Francisco e de outros modelos de fé marcaram ontem a peregrinação jubilar a Roma

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Foto © Samuel Mendonça

O terceiro dia da peregrinação jubilar que a Diocese do Algarve está a realizar a Roma, no âmbito do presente Ano Santo da Misericórdia proclamado pelo papa Francisco (dezembro de 2015 a novembro de 2016), foi vivido ontem fora da capital italiana.

Os 90 peregrinos saíram esta sexta-feira do hotel em dois grupos para visitar Viterbo, onde se encontra o túmulo do único papa português, João XXI. Os restos mortais de Pedro Hispano, natural de Lisboa, repousam na catedral da cidade italiana num espaço que foi valorizado no ano 2000 por vontade da Câmara Municipal da capital portuguesa.

Assim, após a oração da manhã e a recitação do rosário durante a viagem para o norte de Itália, os peregrinos algarvios começaram por visitar em Viterbo o Santuário de Santa Rosa, padroeira local, cuja festa se celebra hoje mas teve já ontem início com o cortejo com o andor com 30 metros de altura e 5.200 quilos que é levado em ombros por cem homens. Naquele santuário puderam visitar o túmulo com o cadáver incorruptível da padroeira.

Ainda na cidade que foi sede papal a partir de 1257 até 1281 por decisão do papa Alexandre IV (inclusivamente de João XXI), seguiu-se então a visita à catedral, igreja românica dedicada a São Lourenço, construída no século XII sob uma igreja do século VIII e restaurada em 1570 em estilo renascentista.

Os peregrinos prosseguiram depois a viagem para norte em direção a Assis, onde, depois do almoço, visitaram a basílica local, que, na verdade, é constituída por um conjunto basilical de três construções: as basílicas superior e inferior com o túmulo de São Francisco e o convento que as circundam, edificados depois da morte do santo em 1228.

Logo de manhã, o bispo do Algarve, que preside à peregrinação, destacava a importância do santo de Assis para a Igreja. “A Igreja não foi a mesma depois de São Francisco”, afirmava D. Manuel Quintas, lembrando que aquele jovem “encontrou o seu caminho que operou nele uma revolução e através dela ele revolucionou os outros e a própria Igreja”.

Dentro da basílica de Assis, os peregrinos puderam conhecer melhor a história de vida de São Francisco através da contemplação das pinturas (a seco e afrescos) de Cimabué e de Giotto, entre outros, que na altura revolucionaram também a arte. Na basílica inferior, viram ainda a túnica mais antiga de São Francisco, os sagrados linhos usados para lavar o corpo do santo após a sua morte, uma das suas duas cartas a frei Leão, bem como o pergaminho original com a regra franciscana.

Depois da visita ao túmulo do santo, realizou-se a celebração da eucaristia presidida pelo bispo do Algarve na capela românica do convento franciscano. D. Manuel Quintas aludiu à espiritualidade franciscana e destacou a simplicidade e a humildade de Francisco, considerando-o um “dom que Deus concedeu”. O prelado referiu-se à “sede de Deus” de Francisco e “todo o percurso que ele fez para acolher, assimilar e assumir o apelo de Deus”.

D. Manuel Quintas lembrou ainda que a espiritualidade de Assis assume um “convite muito importante para a paz”, recordando os encontros inter-religiosos e ecuménicos promovidos pelos últimos papas naquele local.

O bispo do Algarve alertou para o “peso de uma vida sem sentido”. “Precisamos de terá coragem e a força de Francisco”, considerou, lembrando que o atual papa assumiu o nome de Francisco por causa do santo de Assis.

O dia ficou ainda marcado pelo 16º aniversário da ordenação episcopal de D. Manuel Quintas (3 de setembro de 2000), tendo-lhe sido oferecido no final da eucaristia a oração de Francisco a frei Leão.

No final do dia, os peregrinos visitaram ainda, já fora de Assis, a basílica de Santa Maria dos Anjos que contém a Porciúncula, a pequena capela onde Francisco decidiu optar pelo caminho de conversão que seguiu.

A peregrinação jubilar da Diocese do Algarve prolonga-se até ao próximo dia 7 deste mês, sendo que os algarvios visitarão ainda Pompeia e Monte Cassino e participam hoje na celebração de canonização de madre Teresa de Calcutá que será realizada, no Vaticano, no contexto do Jubileu dos Operadores e Voluntários da Misericórdia.

No último dia, os peregrinos participarão na Audiência Papal e, de tarde, na eucaristia na igreja de Santo António dos Portugueses, antes do embarque para regresso a Faro.

Samuel Mendonça, enviado de Folha do Domingo a Roma

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