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O Dia Diocesano do Catequista, que foi celebrado no último sábado por cerca de 200 catequistas de todo o Algarve no Centro Paroquial e Social de Loulé, evidenciou não só a importância do testemunho de vida e da contínua formação daqueles agentes da pastoral, mas também a necessidade de refletirem sobre os conteúdos catequéticos antes de os transmitirem.

Na iniciativa, promovida pelo Setor da Catequese da Infância e da Adolescência da Diocese do Algarve, o frei Paulo Ferreira, conferencista do dia sobre o tema “O Catecismo da Igreja Católica na pastoral ordinária”, lembrou aos catequistas que “a aplicação pastoral do catecismo exige discernimento”. “Entender os valores da catequese supõe que a verdade que transmitimos seja assimilada para que não passemos as palavras tal como as lemos, sem levar as pessoas à reflexão”, advertiu, lamentando que “muitos catequistas se limitam a transmitir aquilo que leem”. “É necessário pararmos e pensarmos naquilo que queremos transmitir. Se não sabemos, devemos perguntar a quem nos ajude”, complementou.

O sacerdote, que para além do Catecismo da Igreja Católica (CIC) apresentou igualmente os restantes documentos principais publicados pela Igreja para a catequese, advertiu, por isso, para o risco de os catequistas de se desviarem do essencial da sua missão. “Ser missionário exige alguma preparação porque, em vez de fazermos missão, podemos correr o risco de nos apresentarmos a nós próprios. E, às vezes, acontece que os catequizandos se lembram do catequista mas não do que aprenderam. Corremos o risco, em vez de passarmos a fé da Igreja, de passarmos aquilo que nós pensamos”, sustentou, lembrando que o evangelizador “apresenta a pessoa de Jesus Cristo” e que o CIC, cuja estruturação apresentou, tem como objetivo esse encontro.

Por outro lado, o conferencista apelou à “capacidade de inculturar” a catequese, até porque o catecismo “necessita de ser trabalhado e adaptado às realidades paroquiais”. “Pode haver pessoas que precisem de uma catequese que não está restrita aos manuais. As realidades culturais são muito importantes para que as tenhamos em conta quando transmitirmos alguns valores. Como falar de uma realidade do pão a uma criança que não conhece o pão? Como falar de uma realidade da família a uma criança que não conhece essa realidade?”, interpelou.

O orador salientou, por isso, a importância da “dimensão eclesial da fé”. “De que forma é que as nossas catequeses incorporam os nossos grupos na comunidade?”, interrogou, considerando que “celebrar a fé em comunidade é fundamental para os integrar”.

O orador destacou ainda que a catequese é uma “iniciação vital” por ser “importantíssima” para a vida e porque “não se faz apenas de conteúdo mas, sobretudo, de testemunho”. “Se não houver esta dimensão do testemunho, o catequista está a fazer uma autorrealização. Mais do que os conteúdos é a vossa vida que conta. Mais do que transmitir o catecismo, procurai transmitir a vida”, exortou, lamentando o “comodismo e a instalação” de muitos catequistas que fez com que não se “adaptassem às novas realidades”. “Se não houver tempo da vossa parte para vos preparardes, estareis a ser não só péssimos catequistas, como um contrassenso”, advertiu.

Neste sentido, o frei Paulo Ferreira lembrou que “a revisão contínua de aprofundamento é uma necessidade básica”. “A catequese é uma das tarefas prioritárias da Igreja. Mais urgente se torna que tenhamos catequistas formados para desempenhar este ministério. É necessário que todos os anos tenhamos ações de reciclagem para aprofundamento da nossa fé”, sustentou.

Também o padre Flávio Martins, diretor do Secretariado da Catequese da Diocese do Algarve, alertou para o cuidado na escolha dos catequistas e para a necessidade de explicar aos candidatos ao serviço que o mesmo implica formação. “Não basta ter boa vontade”, advertiu, lembrando que são precisas “pessoas conscientes, com caminhada de fé madura”. “Cada um de nós tem de descobrir a necessidade da formação”, complementou.

O sacerdote evidenciou, no entanto, que “um bom catequista não é aquele que tem muitos cursos mas aquele que se converteu” e que “vive a sua paixão por Jesus Cristo”.

A irmã Maria de São Paulo Monteiro, responsável pelo Setor Diocesano da Catequese da Infância e da Adolescência, apelou ao envolvimento das famílias. “Não podemos trabalhar separados das famílias”, lembrou.

Da parte da tarde, os catequistas, por vigararias (circunscrição eclesiástica da qual fazem parte várias paróquias), foram convidados a apresentar a síntese da reflexão da parte do CIC que lhes foi atribuído e a jornada encerrou com a celebração da eucaristia no Santuário de Nossa Senhora da Piedade, popularmente conhecido como Mãe Soberana, no decurso da qual foram entregues diplomas jubilares a três catequistas com 25 anos de serviço e os certificados aos que concluíram o Curso de Iniciação em 2011-2012.

Samuel Mendonça

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