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Uma das conclusões preliminares de um inquérito realizado pelo Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais (IEEI), hoje divulgado em Faro, no Algarve, refere que das 1017 entrevistas presenciais, 7 por cento dos inquiridos admitiram já ter tido contacto direto com vítima de tráfico humano.

"Do ponto de vista de investigação, é extremamente interessante ter sido referenciado 7 por cento de pessoas a admitirem contacto direto com as vítimas", declarou à agência Lusa Cláudia Pedra, uma das responsáveis pelo estudo.

"Este valor estatístico pode parecer um valor baixo, mas a nível de investigação sobre o tráfico é um valor elevadíssimo, porque fazendo uma extrapolação para a população geral indica um valor avultadíssimo e indica que os valores oficiais poderão não estar corretos", admite a investigadora, referindo que os números oficias – mais de 100 casos – são com base nas vítimas apanhadas pelas autoridades, mas que existem muitas mais.

"Há uma série de vítimas do crime de tráfico de seres humanos que são classificadas como imigrantes ilegais ou que ficam referenciadas por outros crimes e acabam por nunca ser referenciadas como vítimas de crime de tráfico", explica Cláudia Pedra.

Dos 7 por cento dos inquiridos que admitiram ter tido contacto direto com uma vítima daquele crime, "80 por cento não fez qualquer ação, não falou com as autoridades, não fez nenhuma queixa ou comunicação para ajudar essa pessoa" e a maioria desses 7 por cento são jovens ou entre a faixa etária entre os 30 e 40 anos, informou Cláudia Pedra, preocupada com a "passividade" da população.

A passividade explica-se porque as pessoas não se querem envolver diretamente ou porque simplesmente não sabem o que hão de fazer, argumenta a investigadora, reconhecendo que o "português médio não sabe o que fazer quando encontra uma vítima de tráfico de seres humanos" (TSH) e que isso se deve em parte à falta de campanhas sobre aquele tipo de crime.

Os contactos diretos dos inquiridos com as vítimas de tráfico de seres humanos são de origem vária, mas os contextos de "exploração laboral" e "exploração sexual" são os mais reincidentes.

O inquérito realizado a portugueses a viver de norte a sul do país, e com idades entre 15 e 75 anos, revela também que 93 por cento dos inquiridos têm "consciência do que é o tráfico de seres humanos e que a grande maioria das pessoas ligadas ao TSH é vítima de exploração sexual, é mulher e de nacionalidade brasileira.

O inquérito revela que 73 por cento dos inquiridos diz que os seres humanos alvo de tráfico são mulheres, 19 por cento diz que são crianças e 7 por cento indica que são homens as vítimas.

Sobre os fins do tráfico, 87 por cento dos inquiridos indicam que é para a prostituição, 36 por cento refere a construção civil e 6 por cento para a restauração.

O estudo informa ainda que 84 por cento dos entrevistados desconhece a lei portuguesa de combate ao TSH.

Lusa

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