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Mais de 600 especialistas vão reunir-se até segunda-feira na localidade algarvia e abordar também outras patologias, como a vascularização fetal persistente, que marcará o início dos trabalhos, ou temas como a cooperação com os países africanos ao nível da oftalmologia.

Segundo António Travassos, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, "o traumatismo ocular é por regra imprevisível e pode provocar lesões graves mais frequentes do que o que se pensa".

"A construção civil, por exemplo, é uma profissão que está muito exposta a traumas oculares. O prego que saltou ou a limalha da rebarbadora que atingiu o olho afectam o globo ocular e podem afectar definitivamente a visão", afirmou o especialista à agência Lusa.

António Travassos deu ainda como exemplos de lesões as "queimaduras com detergentes" ou os "trabalhos agrícolas em terrenos com muitas pedras e que fazem com que o aço de uma enxada atinja o olho".

"Em 1996, em Setembro, operei 27 pessoas que tinham pedaços de aço nos olhos devido a este tipo de incidentes e 15 deram entrada nesse mês", recorda.

Apesar de ter provocado a cegueira a 1,6 milhões de pessoas no nundo, Travassos sublinha que "90 por cento dos casos" de traumatismo ocular "são tratáveis com as técnicas existentes hoje em dia, que impedem a perda total da visão".

A traumatologia ocular será debatida no último dia dos trabalhos do congresso, que arranca hoje com a análise da vascularização fetal persistente, "doença que resulta de malformações vasculares não-hereditárias que afectam o olho e que trazem complicações que vão desde a catarata à hemorragia intra-ocular, ao glaucoma ou ao descolamento progressivo da retina", segundo a organização.

A ajuda dos países ocidentais aos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) será outro dos temas em debate.

Moçambique é um dos países com maiores carências nesta área, existindo apenas nove oftalmologistas num país que tem cerca de 19 milhões de habitantes.

Cabo Verde, onde existe apenas um oftalmologista para 50 mil habitantes, e São Tomé e Príncipe, onde não existem oftalmologistas, são outros países com graves deficiências na prestação de cuidados de saúde nesta área.

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