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OrbluaO trio OrBlua, que canta e “toca” as tradições algarvias através de 20 instrumentos, apresenta na hoje, em Faro, “Retratos Cinéticos”, o seu primeiro LP, que contou com a colaboração de Janita Salomé e dos Gaiteiros de Lisboa.

A obra, que é simultaneamente um álbum com onze temas e um livro com onze fotografias de Jorge Jubilot, é descrita à Lusa pelo músico Carlos Norton, compositor e letrista, como “muito cinematográfica”, por abordar “sonhos, mas também a parte histórica e social da região”, nomeadamente, profissões antigas e lendas tradicionais.

Em palco, a banda de Faro utiliza cerca de 20 instrumentos, desde os mais antigos, como a gralha ou a sanfona (um instrumento medieval), aos étnicos, como a gaita-de-foles, o “bouzouki” ou o adufe, aos contemporâneos, como o baixo elétrico ou o piano, mas também recorre à eletrónica, com o uso de uma “loop station”.

“Associo a nossa sonoridade à música tradicional de raiz portuguesa, mas nós apresentamos originais, por isso o que fazemos andará algures entre o folk e o tradicional”, refere outro elemento da banda, Nuno Murta, o único que não dá a voz ao projeto, mas que oferece a sua habilidade para tocar uma panóplia de instrumentos.

Inês Graça, que canta e também toca, tal como Carlos Norton, refere que os Orblua não seguem propriamente um estilo, têm o seu próprio estilo e fazem algo “sem regras”, pois apesar de a inspiração ser a música tradicional, usam instrumentos de todo o mundo, misturando sonoridades tradicionais e contemporâneas.

“Quem nos ouve pode lá encontrar um baile mandado ou um corridinho algarvio, mas não o fazemos deliberadamente, essas linguagens estão dentro de nós, é cultural”, sublinha Carlos Norton, que compõe e escreve as letras, canta e toca, desde piano, a banjo, harpa ou gaita-de-foles.

O álbum é composto por dez temas originais que abordam diversos temas do Algarve, desde a pesca, aos tradicionais moinhos, à Lenda das Amendoeiras, à desertificação da Serra do Caldeirão e até um hipotético desastre ecológico no Cabo de S. Vicente, em Sagres.

Apenas o tema “Calendário” não é original, mas da autoria de Sérgio Mestre, uma espécie de homenagem póstuma ao músico de Tavira, que tem como convidado Janita Salomé, com quem o músico algarvio colaborou.

Além do concerto no Teatro das Figuras, em Faro, a banda algarvia criada em 2011 vai ainda apresentar o seu primeiro LP num concerto marcado para o dia 1 de Abril no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa.

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