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Foto © EPA/Andy Rain
Foto © EPA/Andy Rain

O Turismo do Algarve e a principal associação hoteleira da região manifestaram hoje a sua “preocupação” pela saída do Reino Unido da União Europeia, cujas consequências já são visíveis na desvalorização da libra, disseram os respetivos presidentes.

Os presidentes do Turismo do Algarve e da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Desidério Silva e Elidérico Viegas, respetivamente, coincidem na opinião de que a saída do Reino Unido da União Europeia, decidida na quinta-feira em referendo, e a desvalorização da libra face ao euro são negativas para a região, que tem nesse país o seu principal mercado emissor de turistas.

Mas enquanto o presidente do Turismo do Algarve aponta já para a necessidade de o Algarve apostar noutros mercados emissores de turistas, como o alemão, o francês ou o holandês, para tentar “compensar” uma eventual perda de turistas britânicos, Elidérico Viegas fala de uma “perda de competitividade” face a outros destinos turísticos do Mediterrâneo, com consequências para os resultados das empresas e da região.

“Estamos numa região turística, a preocupação é grande, porque o peso do mercado inglês é grande, mas obviamente agora é preciso ter confiança no destino Algarve e procurar criar as condições para minimizar esse impacto e fazer reajustamentos, procurando mercados que possam compensar eventualmente a diminuição da procura e do poder de compra” dos britânicos, afirmou o presidente do Turismo do Algarve.

O presidente do Turismo do Algarve disse que a perda de poder de compra vai também “ser um fator negativo na qualidade de vida” da comunidade britânica residente na região e, neste contexto, a região “tem que se procurar consolidar como um território turístico de excelência” e “compensar” a eventual perda de visitantes britânicos com turistas provenientes de outros mercados, “designadamente na Alemanha, na França e nos países do Benelux”.

“O Algarve tem que redimensionar e criar uma nova estratégia para procurar outros mercados que possam compensar esta parte negativa”, defendeu Desidério Silva, considerando que “as coisas não vão ser como antes” e “todos têm que trabalhar para que o resultado global seja minimizado”.

Elidérico Viegas disse que “a primeira consequência da saída do Reino Unido conhecida é a desvalorização da moeda” e isso vai ter um impacto direto no poder de compra dos turistas britânicos”, com consequências depois na “perda de competitividade” do destino Algarve para outros países do Mediterrâneo com capacidade para aplicarem política monetária e desvalorizarem as suas moedas.

“Estamos preocupados com esta situação, a instabilidade financeira criada em torno do Brexit pode ter implicações, ou terá certamente implicações nas empresas e nos resultados económicos da região”, considerou, por seu turno, o presidente da AHETA.

“Penso que, no que se refere às receitas dos hotéis e empreendimentos turísticos, para já não haverá consequências, uma vez que os contratos já estavam firmados anteriormente e serão cumpridos, mas no futuro penso que poderá haver aqui uma perda de competitividade relativamente à concorrência mais direta, designadamente a que se situa na bacia do mediterrâneo”, considerou o presidente da AHETA.

Os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido vai sair a União Europeia (UE), depois de o ‘Brexit’ ter conquistado 51,9% dos votos no referendo de quinta-feira, cuja taxa de participação foi de 72,2%.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou já a sua demissão com efeitos em outubro.

As principais bolsas europeias abriram hoje em forte queda, com a bolsa de Londres a descer perto dos 8%, mantendo-se ao fim da manhã com perdas entre os 5% e os 11%.

Numa primeira reação, os presidentes das instituições europeias (Comissão, Conselho, Parlamento Europeu e da presidência rotativa da UE) defenderam um ‘divórcio’ o mais rapidamente possível, “por muito doloroso que seja o processo”.

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