Pub

Em declarações à Lusa, António Goulart sublinhou que “normalmente” o quarto trimestre do ano não é o pior, e que, caso se repita essa tradição, os 17,5% do último trimestre de 2011 “tenderão a ser pulverizados no atual trimestre [entre janeiro e março]”.

O coordenador do organismo afeto à CGTP/Intersindical enfatizou que a crise na região algarvia “tinha crescido muito mais do que noutras regiões do país, pelo que o Algarve já tinha uma base de partida elevada”.

Segundo o coordenador da USAL, “essa tendência acelerou ainda mais com o conjunto de medidas recessivas tomadas pelo Governo”.

Sobre o papel da sazonalidade no desemprego verificado fora da época alta da ocupação turística, António Goulart recordou que a região “tem valores elevadíssimos” de desemprego no verão e observou que, ao longo de todo o ano, o “traço mais brutal” da crise no Algarve “é este desemprego”.

Para o presente panorama concorrem, segundo o dirigente sindical, uma estrutura regional baseada em microempresas, a “extensíssima precariedade” do desemprego e “o facto de os setores mais importantes da economia regional não serem os mais favorecidos neste panorama económico”.

Aduziu, a propósito, que o Turismo “é dos primeiros setores a ressentir-se da crise nacional” e evocou a importância do Turismo interno para a região, salientando que as medidas de austeridade e contração económica até aqui tomadas pelo Governo afetam imediatamente o setor.

Destacou também outras medidas com efeitos no futuro, como o corte de pontes e feriados e a recusa em conceder tolerância de ponto aos funcionários públicos no dia de Carnaval.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, o Algarve foi a região portuguesa com maior taxa de desemprego no quarto trimestre de 2011, mas calculando os valores médios para o total do ano de 2011, o Algarve é também a região com a taxa de desemprego mais elevada, com 15,6%.

A nível nacional, a taxa de desemprego em Portugal no quarto trimestre de 2011 atingiu os 14%, ficando acima das estimativas dos economistas contactados pela agência Lusa, que esperavam uma taxa entre os 13 e os 13,5%.

A taxa de desemprego média anual situou-se nos 12,7%.

Lusa

Pub