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No centro da capital algarvia existe, desde 1944, a fábrica “Victus Industrial Farense” que transforma 1500 toneladas por ano de sementes de alfarroba, um fruto seco utilizado na industria farmacêutica, para dar forma a alguns comprimidos, indústria cosmética para os cremes ou na alimentar, através de aditivos para pudins ou papas de bebé.

A autarquia de Faro tem, todavia, outros planos para aquela zona da cidade onde está implantada atualmente a unidade fabril e, até ao final deste ano, é iniciado o processo de deslocalização da fábrica, que emprega 14 pessoas.

“Vão ser necessários dois anos para a construção da nova fábrica, instalação e auditorias. A primeira pedra foi lançada em fevereiro passado pelo ministro da Agricultura e o grosso da obra arranca este ano, com a construção da unidade de tratamento das sementes e tratamento de resíduos”, avançou à agência Lusa o proprietário da futura fábrica.

Manuel Caetano acredita que ao longo do ano de 2013, a nova fábrica, que vai ficar edificada no Areal Gordo, perto da saída de Faro para Olhão, aumente a produção anual de 1500 toneladas/ano, para quatro mil toneladas/ano de sementes de alfarroba.

As quatro mil toneladas de sementes de alfarroba dão cerca de 40 por cento de hidrocoloides (um espessante vulgarmente conhecido como E 410), e 20 por cento de gérmen, uma farinha alimentar altamente proteica.

“Os hidrocoloides vão para os países mais desenvolvidos na área alimentar do fast food (comida rápida), como os EUA, Japão ou países do norte da Europa, como Inglaterra ou Dinamarca”, referiu Manuel Caetano.

O gérmen, por seu turno, segue viagem para outras paragens, como por exemplo, Espanha, Holanda ou Bélgica, acrescentou Manuel Caetano, também conhecido por “mister Carob” ou “mister Alfarroba”, por estar desde os 18 anos ligado ao setor alfarrobeiro.

O investimento para a nova unidade fabril de Faro, que manterá os mesmos 14 funcionários, é de 5,5 milhões de euros, sendo 35 por cento do total do valor investido oriundo de fundos comunitários através do Quadro de Referência Estratégica Regional (QREN).

No Algarve existiam duas fábricas de transformação de alfarrobas, a Danisco e a Victus Industrial Farense, mas recentemente a dinamarquesa Danisco, que tinha sede em Faro, encerrou portas e deslocalizou-se para Valência (Espanha), levando toda a estrutura produtiva e desempregando 38 funcionários, entre os quais técnicos desempregados.

O volume de negócios no setor da alfarroba em Portugal ronda os "32 milhões de euros", referiu Manuel Caetano adiantando que apesar de Marrocos ser o país com maior capacidade de produção de alfarroba, é em Portugal que nasce a "melhor do mundo".

Lusa

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