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AmeijoaO estudo da forma como as alterações climáticas influenciam a construção das conchas nos bivalves é o objetivo do projeto europeu ‘CACHE’, que arrancou no mês passado e tem a participação do Centro de Ciências do Mar, da Universidade do Algarve (UALg).

O propósito do ‘CACHE – Cálcio num Ambiente em Mudança’, projeto orçado em 3,6 milhões de euros, foi hoje explicado à Lusa por Débora Power, investigadora do Centro de Ciências do Mar (CCMAR) e professora da UALg.

Os cientistas ainda não sabem hoje na globalidade como é que os bivalves (ostras, mexilhões, vieiras e amêijoas) produzem as suas conchas ou como é que as mudanças no ambiente afetarão as suas populações.

Segundo a especialista, há na realidade uma mudança em termos de mar e de ambiente e uma redução do pH e da acidez da água com impacto na fisiologia dos bivalves, como, por exemplo, no mexilhão ou na ostra.

“À medida que a água dos oceanos acidifica, as estruturas das conchas poderão dissolver-se e ficar mais finas. Se tal suceder, os animais poderão ter que despender mais energia na produção de cascas mais grossas, crescendo menos e produzindo carne de menor qualidade, com consequências negativas na economia pesqueira e no produto disponível para o consumidor, acrescentou.

O programa vai também averiguar como se constrói uma concha para tentar encontrar “inovações que permitam a sua aplicação na Medicina”, referiu Débora Power.

A indústria de bivalves fornece um importante contributo para a economia marítima europeia, movimentando cerca de 500 mil milhões de euros anuais e dando emprego a 5,4 milhões de pessoas.

O programa ‘CACHE’ visa também promover a formação de uma nova geração de cientistas marinhos em ligação com a indústria, sendo que o processo de recrutamento de candidatos a doutoramento e pós-doutoramento se encontra aberto até 12 de janeiro de 2014.

O programa teve início em novembro, mas até janeiro está aberto o aviso internacional para recrutar os alunos, em que devem ser selecionados dez em doutoramento e três em pós doutoramento, acrescentou Débora Power.

O projeto ‘CACHE’ é coordenado pelo British Antarctic Survey, em Cambridge, e o CCMAR é o único parceiro português envolvido.

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