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"O BCP, enquanto presidente da comissão de credores e maior credor, está disponível para apoiar o plano de recuperação a 100 por cento, mas por parte dos outros bancos credores, nomeadamente Caixa e BPN, há uma certa resistência”, declarou o responsável esta manhã, no final da reunião com os trabalhadores.

Em causa estão, segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), cerca de 500 postos de trabalho directos e mais de duas centenas de indirectos, razões que levam o sindicalista Gomes Peres a considerar “incompreensível que sejam instituições bancárias do Estado a suscitar dificuldades ao segundo maior empregador de Silves e um dos maiores no Algarve”.

O plano, apresentado em junho pela consultora Deloitte, prevê a viabilização do grupo – que controla as empresas Alisuper, Macral e Geneco – através da injeção de 5,5 milhões de euros, financiados pela banca credora.

Segundo José António Silva, o dinheiro destina-se ao reforço de tesouraria e à reconversão das 87 lojas do grupo até Agosto.

“Temos um acordo com uma cadeia internacional para usar uma nova insígnia, com marcas próprias, que entusiasmou a própria comissão de credores e os bancos, pois traz a empresa para uma nova filosofia de negócio”, explicou.

Sem revelar o nome devido ao sigilo imposto pelo contrato, o administrador da Alicoop adiantou tratar-se de “uma das maiores cadeias de supermercados do mundo”.

O plano prevê ainda a amortização em 16 anos dos 80 milhões de euros de dívidas acumuladas pelo grupo, sendo que só no verão de 2011 terão lugar os primeiros pagamentos, nomeadamente dos dois subsídios em atraso, num total de 500 mil euros.

A notícia não agradou aos cerca de 300 funcionários reunidos em Silves, que ainda assim manifestaram preferir “esperar pelo dinheiro em dívida a perder o posto de trabalho”.

"Sem o apoio dos bancos, o plano de recuperação não é aprovado e, assim, o futuro da empresa fica boicotado”, afirmava José Carlos Parreiro, da Comissão de Trabalhadores.

José António Silva pede, por isso, “intervenção governamental” e pretende pedir ainda hoje auxílio ao ministro da Economia.

“O país não se pode dar ao luxo de deixar cair um grupo que prevê o aumento do número de funcionários a curto prazo”, afirmou o presidente da Alicoop, esperando que os dois bancos mudem de posição até à próxima reunião de credores agendada para quarta-feira (3 de fevereiro).

Em 2006, período alto, registava uma facturação superior a 150 milhões de euros, tendo vindo a decair desde então até atingir metade desse valor.

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