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O vice-presidente da Accenture Portugal, uma empresa global de consultoria de gestão, tecnologia da informação e outsourcing, lembrou que “o amor como critério de gestão não se mede diretamente”, mas “mede-se pelos seus efeitos” e garantiu que “há quem esteja a estudar o valor económico do amor”.

“Se esta semana consegui que um dos melhores colaboradores que trabalha comigo não saísse da empresa para ganhar o dobro, isto tem valor económico”, exemplificou João Pedro Tavares, que falava no jantar-palestra promovido pelo núcleo do Algarve da ACEGE – Associação Cristã de Empresários e Gestores no Hotel Faro na última quarta-feira.

O orador, que refletiu sobre a vivência do tempo presente nas empresas à luz do tema “O Amor ao Próximo como Critério de Gestão”, explicou o que isto significa. “Este amor ao próximo é o exercício pleno da vontade de eu tratar o outro da mesma maneira que gostava de ser tratado. O meu próximo é aquele de quem me faço próximo. O meu próximo tem de ser entendido como pessoa e não como apenas e só colaborador ou número. Dentro da empresa há pessoas. Se vemos apenas e só números, perdemos a noção das coisas. Quando não somos capazes de ver rostos, contextos, histórias de vida, perdemos a noção das coisas”, justificou.

Neste sentido, defendeu que “o amor ao próximo como critério de gestão é o mais exigente, o mais difícil, mas é o mais pleno e o mais marcante”, e, por isso, o “grande desafio para o empresário e o gestor” no seu dia-a-dia. Por exemplo, em caso de despedimento defendeu que se atente aos critérios mesmo que isso “penalize a empresa” e pareça um “menor valor económico”. João Pedro Tavares pediu que nestes casos se tome em consideração a capacidade da pessoa ser reintegrada no mercado de trabalho ou o contexto familiar, entre outros aspetos.

Perante os 16 participantes do jantar, o orador considerou ainda ser preciso “desfazer alguns estigmas” da sociedade portuguesa. “O contrário de liderança é vitimização e nós, enquanto povo, rapidamente saímos para a vitimização”, lamentou.

Cintando o Papa emérito Bento XVI, evidenciou que a finalidade de uma empresa ou organização é “criar valor”, pese embora o seu “maior desafio” seja “como é que o distribui”.

O orador defendeu que “sem honestidade não há líder” e que este precisa conhecer-se, aceitar-se, respeitar-se e amar. “Eu não posso ser um pai carinhoso e um profissional tirano”, advertiu, reconhecendo ser “difícil ter que viver a verdade, a transparência, promover a confiança mútua, promover o respeito pela pessoa humana. “Todos os dias tenho de competir em superar os meus defeitos, as minhas limitações, os meus erros… Luto por ser mais pleno, mais em verdade, mais em vontade, mais em superação”, acrescentou.

Neste sentido testemunhou que uma das “mudanças maiores” da sua vida foi deixar que a “eficiência e a eficácia” fossem a “centralidade” dos seus resultados, para passar a “olhar para a pessoa como sendo pessoa, seja cliente, fornecedor” ou outro. “Esta é uma mudança significativa e cria muito mais valor no final do dia”, garantiu.

Samuel Mendonça

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