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O autarca e mais quatro arguidos, ouvidos em primeiro interrogatório judicial pelo juiz Carlos Alexandre no Tribunal Central de Instrução Criminal, no Campus da Justiça, em Lisboa, são suspeitos de corrupção, administração danosa, branqueamento, participação económica em negócio e associação criminosa.

O advogado Paulo Batista acrescentou que Luís Carito, além de ficar sujeito à medida de coação de vigilância eletrónica, ficou ainda suspenso de exercer cargos públicos e proibido de contactar com os outros arguidos e de se ausentar do país.

O vereador do município algarvio Jorge Campos, o atual administrador da empresa municipal Portimão Urbis, Lélio Branca, e dois administradores da Pictrures Portugal, Artur Curado e Luís Marreiros, saíram em liberdade, mas tiveram de pagar uma caução de 20 mil euros cada um, além da proibição de se contactarem entre si e de se ausentarem do país.

O vereador e o administrador da Portimão Urbis estão também suspensos de exercerem cargos públicos.

Os factos em investigação estão relacionados com a atividade e gestão da Portimão Urbis. Luís Carito e Jorge Campos faziam parte, à data dos alegados factos (2011), do seu conselho de administração.

Para o Ministério Público (MP), os cinco arguidos tinham como objetivo comum "sacar dinheiro" à empresa municipal através da celebração de contratos fantasmas com outras empresas privadas, entre as quais a Pictures Portugal.

À saída do Campus da Justiça, alguns dos advogados consideraram as medidas de coação "desadequadas", tendo em conta os factos investigados, e afirmaram que vão recorrer da decisão hoje proferida pelo juiz Carlos Alexandre, um dia e meio após o início do primeiro interrogatório judicial.

Sancho Carvalho Nunes, outro advogado do vice-presidente, Luís Carito, reconheceu que o facto de o seu cliente ter "ingerido um papel" que retirou das mãos dos inspetores da Polícia Judiciária (PJ) durante as buscas domiciliárias, "pode ter sido determinante para a aplicação da medida de coação" ao autarca.

O advogado acrescentou que a atitude do seu cliente é de alguém "que não está no seu estado de lucidez e racionalidade", justificando que o Luís Carito foi surpreendido pelos inspetores da PJ em sua casa cerca das 07:30 de quarta-feira.

O autarca foi encaminhado para o estabelecimento prisional junto à PJ, na Rua Gomes Freire, em Lisboa.

O vice-presidente, Luís Carito – que é também presidente da concelhia socialista de Portimão -, o vereador Jorge Campos e os outros três elementos foram detidos por suspeitas de corrupção, administração danosa, branqueamento e participação económica em negócio.

Uma das situações investigadas prende-se com o projeto Pictures Portugal – iniciativa privada para a criação da cidade do cinema em Portimão. Outra parte da investigação, que durou dois anos e contempla quatro volumes, também abrange contratos que envolvem, alegadamente, o estádio do Portimonense, explicou à agência Lusa fonte policial.

Os cinco suspeitos foram detidos no âmbito de uma investigação da PJ, que culminou na quarta-feira com a realização de buscas na autarquia, nas instalações da empresa municipal e nas residências dos arguidos.

Lusa

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