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“Reorganizar” e “reajustar” foram os verbos destacados pelo vigário episcopal para a pastoral da Diocese do Algarve na Assembleia Diocesana do passado sábado na apresentação do Programa Pastoral para este ano 2020/2021.

O padre António de Freitas disse ser necessário “reorganizar” e “reajustar” porque “as comunidades sofreram um abalo muito grande” a nível pastoral com a pandemia de Covid-19. “Não podemos viver do mesmo, mas sem esquecer de olharmos para fora de nós mesmos, Igreja”, afirmou aquele responsável no encontro que teve lugar na igreja de São Pedro do Mar, em Quarteira, com participação presencial reduzida a cerca de 70 responsáveis por causa da pandemia e transmissão em direto na página do jornal Folha do Domingo na rede social Facebook.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Temos de olhar à situação que vivemos e fazer face às situações de precariedade dos irmãos nossos por causa do desemprego, mas também outras situações que levam as pessoas ao desânimo, a viver isoladas, abandonadas, e nós temos de ser parte construtiva desta sociedade”, sustentou o sacerdote ao destacar o que animou a execução do plano que tem como tema “Recomeçar a partir de Cristo – «Tende coragem: não tenhais medo!» (Mc 6, 50)” e como objetivo geral “reedificar as comunidades cristãs a partir do essencial da vida em Cristo e fazer delas expressão de Fraternidade, Esperança e Caridade nas dificuldades da sociedade atual”.

Assembleia Diocesana da Igreja no Algarve na igreja de São Pedro do Mar, em Quarteira, para apresentação do Programa Pastoral 2020/2021

Posted by Folha do Domingo on Saturday, 19 September 2020

Depois de ter cumprido um Programa Pastoral trienal, iniciado em 2017, a Diocese do Algarve estava a preparar um novo triénio pastoral que a conduziria até 2023, mas a pandemia de Covid-19 veio provocar uma alteração nos planos. “A Igreja do Algarve considerou que seria adequado adiar, por um ano, a entrada no novo Triénio Pastoral para dedicar especial atenção àquilo que são as necessidades da Sociedade e da Igreja algarvia nos próximos meses, àquilo que efetivamente é possível e seguro realizar, e compreendendo o que é verdadeiramente essencial para o viver cristão”, pode ler-se na introdução ao Programa Pastoral para este ano de 2020/2021 que servirá de preparação para o plano trienal.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Adiámos o triénio e decidimos, através de vários conselhos que foram consultados, aplicar o Programa Pastoral que olhe de modo particular para a situação que vivemos como Igreja e como sociedade”, explicou o vigário episcopal para a pastoral.

“Pior do que programarmos e corrermos o risco de vir a cancelar ou mudar, é não programarmos coisa nenhuma, é entrarmos no vazio de propostas e de não sabermos para onde vamos e nem o que queremos fazer”, considerou, explicando que “um Programa Pastoral nunca é algo fechado em si”, mas “uma proposta” e “um apontar de caminho ou de rumo” que cada paróquia deverá aplicar e adequar “conforme a sua realidade”.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O padre António de Freitas aludiu à necessidade de que o Programa Pastoral, tanto a nível formativo como espiritual, possa sobretudo ser aplicado nas dimensões paroquial e vicarial. “Não estamos no tempo das grandes coisas diocesanas”, alertou.

O sacerdote lembrou que “a comunidade cristã faz-se presencialmente”, mas pediu, “se não houver essa possibilidade para todos, que se garanta a possibilidade digital como complemento”.

Relativamente aos meios digitais, uma das áreas em destaque no programa deste ano, disse ser preciso “saber utilizar estes meios com qualidade e na devida proporção”. “Se calhar temos de pensar verdadeiramente como é que nos podemos formar para que possamos evangelizar no mundo digital com qualidade”, afirmou, desejando que a presença naquela dimensão não se limite aos sacramentos e, de modo especial, à eucaristia.

Noutro plano disse ser preciso formar equipas que promovam, através da relação entre a comunidade e as famílias, “um caminho de espiritualidade familiar” e a “relação entre as equipas da pastoral da saúde e da pastoral sociocaritativa” para que “a dimensão da caridade não se torne simplesmente uma espécie de dimensão social marcada pelo evangelho”. “Não podemos cingir a nossa dimensão sociocaritativa a entregar sacos de comida, de roupa”, concretizou.

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