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Vigília vocacional desafiou jovens a deixarem-se interpelar por Deus

Foto © Samuel Mendonça

A Diocese do Algarve promoveu na passada sexta-feira à noite, através do seu Secretariado da Pastoral Vocacional, uma vigília de oração pelas vocações.

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A iniciativa, promovida em colaboração com o Sector da Pastoral Juvenil e o Centro Diocesano de Acólitos da Igreja Católica algarvia, realizou-se na igreja matriz de Loulé e foi presidida pelo bispo do Algarve, D. Manuel Quintas.

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A atividade – que se inseriu na Semana de Oração pelas Vocações iniciada no passado dia 30 de abril, com o tema “Queres dar-te a Deus?”, e que ontem terminou – ficou marcada pelos testemunhos vocacionais do bispo do Algarve, do padre Francisco Ferreira de Campos e da irmã Francisca Dias que desafiaram os jovens a deixarem-se interpelar sobre a sua vocação.

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D. Manuel Quintas lembrou que faz parte da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (dehonianos), tendo entrado no Seminário com 12 anos como “era habitual” na altura.

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O prelado recordou que a sua primeira decisão foi tomada aos 17 anos ao entrar no noviciado, realizando depois os votos temporários, mas que a “grande decisão” aconteceu só por volta dos 22 anos quando fez uma experiência missionária em Moçambique. “Ser padre, missionário, consagrado não era um refúgio, mas queria convencer-me mais. Queria encontrar um fundamento existencial”, explicou, considerando que os dois anos em missão “foram decisivos”. “Para além desse contacto mais pessoal, num ambiente tão diferente, onde falta tudo e onde se tem tudo”, testemunhou que o que o impressionou foi a “alegria no serviço” e alegria do povo “que se sentia tão confortado em ter missionários e missionárias”. “Aquilo que pesou numa decisão vocacional foi particularmente esta experiência e o testemunho que recebi daqueles que viviam totalmente para aquele povo. Isso foi a grande alavanca, a grande força que me fez decidir e foi sustentáculo durante os meus quase 50 anos de vida consagrada”, sustentou.

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“Podeis crer que quando um se dá todo, como Cristo se deu a nós, encontramos essa fonte da alegria, da realização pessoal, encontramos sentido para uma vida gasta ao serviço dos outros”, garantiu o bispo do Algarve na vigília que contou também com a participação do padre Nelson Rodrigues, responsável do Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional e assistente do Sector Diocesano da Pastoral Juvenil, e de outros sacerdotes.

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A irmã Francisca Dias, consagrada há 12 anos no Instituto das Irmãs de Santa Doroteia (doroteias), “nascida e criada no Porto” no seio de uma família cristã, contou que aos 12 anos “houve uma grande reviravolta” na sua vida. “Praticamente «fechei a porta» a Deus”, reconheceu. No entanto, no terceiro ano da licenciatura como Educadora de Infância uma irmã doroteia, sua professora convidou-a para um fim-de-semana para “pensar na vida”. Após o encontro com cerca de 300 doroteias, fez um retiro que a marcaria para sempre. “Reencontrei-me com Deus de uma maneira tão forte que nunca mais me largou. Aquele Jesus Cristo que encontrei no retiro apaixonou-me e nunca mais saiu do meu coração”, contou, acrescentando que começou ali uma “história de amor” em que se deixou “descobrir e guiar por Jesus Cristo”.

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“Com 21 anos descobri que aquilo que Jesus queria era que eu fosse feliz e levou-me à vida que tenho hoje. Fiz experiências de namoro, como muitos de vocês, mas essas experiências fizeram-me perceber que o meu coração era grande demais para uma só pessoa e que não ia ser feliz, nem ia fazer a outra pessoa feliz”, acrescentou, garantindo que a sua vocação se vive, não apenas com Cristo, mas na doação aos outros. “Encontrei a minha felicidade porque tenho a viver na minha comunidade irmãs que me fazem sentir este amor de Deus, me fazem ir ao encontro dos outros e me fazem sair de casa para vir trazer este Jesus a cada um de vocês”, completou.

Aos jovens, a irmã deixou um desafio. “Não deixem de procurar aquilo que Deus quer para vocês, que é a felicidade, e arrisquem. Arrisquem a ser felizes porque Deus não falta”, apelou.

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O padre Francisco Ferreira de Campos, sacerdote da Companhia de Jesus (jesuítas), contou que se licenciou como engenheiro florestal, tendo começado a trabalhar e a “fazer aquilo que gostava muito”. “Tinha um emprego de sonho, muito bem pago”, sustentou, acrescentando que tinha uma namorada “de quem gostava muito”. “Tínhamos em mente casar. Ao fim de vários anos de namoro com ela, o próximo passo seria o casamento. E foi nesse momento que surgiu uma questão de fundo: e se não é este o caminho? E se Deus me está a pedir outra coisa?”, testemunhou, lembrando que “não era uma questão nova”, mas que naquela altura “se pôs com muita força”. “Começou aqui um dos anos mais difíceis da minha vida, porque até aí nunca tinha tido dificuldades nenhumas em decidir nada. Sentia que podia viver felicíssimo como casado e poderia viver felicíssimo como padre”, prosseguiu.

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O sacerdote contou ter descoberto aquilo que é “fundamental na vida de qualquer cristão”: “Deus não quer nada diferente do meu querer mais profundo”. Nesse ano continuou a trabalhar e começou a “rezar mais”. “Foi um ano de grande aproximação a Jesus”, contou, considerando haver “vocações melhores que outras”. “Cada um tem uma vocação melhor que a outra e isso é fundamental para perceber qual é, porque senão andamos a escolher mal. Para mim só há uma vocação melhor, é esta de ser padre”, afirmou, considerando que “podia ser 99% feliz” sendo casado, mas que só sendo sacerdote consegue sê-lo a “100%”. “É um abismo este 1% porque é do quase tudo para o tudo”, sustentou.

“Atrevam-se a conhecer Jesus. Atrevam-se a meter-se nas suas mãos para verem o que é que Ele quer vos dizer”, pediu na vigília participada por várias religiosas que prosseguiu com a adoração ao Santíssimo Sacramento.

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