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Vila Real de Stº. António: Emblemático Hotel Guadiana alvo de posse coerciva pela autarquia

Em entrevista à Lusa, o presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, Luís Gomes, afirmou que a unidade hoteleira está a degradar-se e, por essa razão, a autarquia pediu ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico (IGESPAR) a classificação do imóvel como património municipal para poder invocar o "interesse público" e tomar posse do edifício.

Luís Gomes ressalvou que só não avançará para a posse coerciva se o actual proprietário, em litígio com os anteriores proprietários por estes considerarem que adquiriu o hotel através de uma venda fraudulenta, demonstrar que "está efectivamente em condições de o reabrir, criando postos de trabalho".

"A câmara, o que pretende é abrir as portas ao Hotel Guadiana, porque é um imóvel que está a deteriorar-se do ponto de vista arquitectónico e do edifício em si e a autarquia entende que deve estar aberto", afirmou o Luís Gomes.

O autarca explicou que está em curso "um estudo estratégico, ao abrigo da empresa municipal – Sociedade de Reabilitação – que prevê a posse coerciva e administrativa do hotel", sendo depois “aberto concurso público para entregar a gestão a privados".

Confrontado com a existência de um processo judicial a envolver o proprietário e os anteriores donos, Luís Gomes defendeu que "a câmara pode tomar esta posição apesar de haver guerras jurídicas".

O Hotel Guadiana, inaugurado em 1926, foi desenhado pelo arquitecto de origem suíça Ernesto Korrodi e é um dos mais emblemáticos edifícios da cidade pombalina algarvia devido à sua traça de "arte nova".

O edifício chegou a estar completamente abandonado e degradado, mas em 1987 um privado recuperou o hotel, que reabriu em 1992 e se manteve em funcionamento até 2007, ano em que fechou devido a dificuldades financeiras dos seus herdeiros.

Um desses herdeiros, Carlos Agostinho, disse à Lusa que em 2007 descobriu que o hotel tinha sido vendido ao actual proprietário devido a "uma burla do advogado Luís Sommer Martha, que obteve procurações com falsos pretextos e vendeu o hotel por 1,1 milhões de euros, verba abaixo do seu real valor e da qual se terá apropriado".

A Polícia Judiciária deteve Sommer Martha em Janeiro passado e o advogado ficou em prisão preventiva, acusado dos crimes de burla agravada, falsificação de documentos e branqueamento de capitais. Os herdeiros querem, no âmbito desse processo, a nulidade da venda.

Agostinho sublinhou que "além de Martha ter vendido ilegalmente o hotel ao actual proprietário, este hipotecou o imóvel como garantia de um empréstimo bancário feito no BPN" para financiar a operação.

"Desde 2002 até 2007 a gestão do hotel foi cedida a uma empresa que nunca fez manutenção. Além destes cinco anos, está fechado há dois e a degradar-se de dia para dia", lamentou Carlos Agostinho, advertindo que "o edifício é velho e precisa de manutenção anual".

Ângelo Ramos, ex-funcionário do Hotel, também lamentou a degradação já visível "num edifício antigo, que precisa de manutenção regular e onde já ficaram hospedados Xutos e Pontapés, John Malcovich, a neta de Franco (o antigo ditador espanhol) ou o arquitecto Nuno Portas".

"É uma pena ver o hotel fechado, porque tinha rendimentos e viabilidade o ano inteiro. Estava cheio de Verão, de Inverno tinha sempre ocupação e havia clientes regulares que vinham todos os anos de Inglaterra", explicou, frisando tratar-se de "um hotel de charme, sem dois quartos iguais e uma sala de jantar com vista para o rio".

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