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Ao jornal Folha do Domingo, Nuno Prazeres, diretor do secretariado do Apostolado Mundial de Fátima (WAF), associação que em Portugal coordena a peregrinação da imagem que, para além de Fátima, já passou por Viana do Castelo e Lisboa, explicou que “a iniciativa tem sido bem acolhida” e “a adesão tem sido muito positiva”. Por onde passou a Virgem Negra de Czestochowa tem tido uma ótima receção e Faro não foi exceção. As pessoas receberam com muita alegria e entusiasmo”, testemunhou.

Aquele responsável destaca, contudo, o objetivo da iniciativa. “O que esperamos é que Nossa Senhora possa ter falado ao coração dos portugueses e que o nosso povo possa ter tido a oportunidade de lhe entregar nas mãos os nossos problemas e dificuldades para ela os apresentar a Jesus”, destacou, sublinhando que as pessoas identificam o ícone com o Papa João Paulo II.

Também o padre polaco Dariusz Pestka, assistente espiritual das Carmelitas Descalças, que acompanhou a estadia do ícone no Algarve, realçou a mesma relação. “Muitas pessoas conheciam o cântico que o Papa João Paulo II cantava muitas vezes e, quando o ouviram, emocionaram-se” por se lembrarem do beato polaco, relatou.

O sacerdote conta ainda que, por onde passou a imagem, houve sempre muita adesão por parte de pessoas, incluindo turistas, que vieram de todo o Algarve e que “não queriam que o ícone fosse embora” e destaca a celebração da bênção das famílias, no dia 27 de março, e da eucaristia para a comunidade polaca do Algarve, ambas realizadas no Carmelo do Patacão. Esta última, realizada ontem, Domingo de Páscoa, contou ainda com a participação da comunidade ucraniana no Algarve, bem como de vários portugueses, membros das igrejas ortodoxa e católica, que estiveram “muito envolvidos e sentiram muito a importância desta visita”, conforme explicou o padre Dariusz Pestka.

Para o sacerdote, o facto de a visita pedida pelas Carmelitas Descalças algarvias ter coincidido com a Semana Santa enriqueceu-a ainda mais como “caminhada espiritual e de preparação para a Páscoa”. “Esta semana ajudou-nos a descobrir que sem Maria não havia aquilo que estávamos a celebrar, ela que esteve precisamente presente em todos os momentos da vida de Jesus, incluindo os da sua paixão e morte”, sustentou.

A passagem da imagem por Portugal, que teve início no passado dia 2 de março e durará até ao próximo dia 14 deste mês, integra-se na peregrinação internacional do ícone pela Europa, em defesa da vida e da família. Em fevereiro de 2012, vários líderes católicos de movimentos pró-vida, entre eles a organização Human Life International, reuniram-se no mosteiro de Jasna Gora, na cidade polaca de Czestochowa, para confiarem a Nossa Senhora a causa da defesa da vida e delinear o itinerário da peregrinação “De Oceano a Oceano”. Designou-se assim por esta ter início em Vladivostok, na Rússia, junto ao oceano Pacífico, e vir a concluir-se em Fátima, junto ao oceano Atlântico.

Trata-se de fazer peregrinar um dos ícones mais venerados por católicos e por ortodoxos. O lema da campanha é “Leste e Oeste em defesa da vida”, dando resposta a um apelo do beato João Paulo II na sua encíclica “Evangelium Vitae”.

A imagem, que é uma réplica do original, já percorreu mais de 30.000 quilómetros e passou por países como a Rússia, Ucrânia, Polónia, República Checa, Hungria, Áustria, Alemanha, Suíça, Itália, Bélgica, França, entre outros, num total de 23 países. Segundo a tradição, o ícone original terá sido escrito pelo evangelista São Lucas sobre o tampo da mesa em cipreste da casa da Sagrada Família, em Nazaré. Encontra-se desde 1382 no Santuário de Jasna Gora, na Polónia.

Em 1430, numa tentativa de roubo e profanação, o ícone foi vandalizado, tendo o rosto de Maria sido desfigurado pelos cortes de uma espada. Depois do restauro, as cicatrizes mantiveram-se e são hoje uma das suas caraterísticas principais. Embora intimamente ligado à história de uma Polónia sofrida mas persistente na fé, o ícone é conhecido e venerado pelo mundo fora, tanto no Ocidente como no Oriente.

Nuno Prazeres não descarta a possibilidade do ícone mariano voltar a Portugal. “É a primeira visita de Nossa Senhora de Czestochowa a acontecer ao nosso país e acreditamos que terá muito gosto em voltar e ser bem acolhida novamente no nosso país”, afirmou.

Samuel Mendonça

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