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Augusto da Paz, que lidera a cooperativa de viveiristas sediada em Olhão e que no último ano perdeu mais de uma centena de sócios pagantes, explicou que há um conjunto de saídas de águas pluviais para a Ria que estão algumas vezes contaminadas com esgotos ilegais, o que prejudica mariscadores e o turismo.

“Fogem à malha da Câmara de Olhão uma série de esgotos domésticos que devem estar ligados aos pluviais. Eles não conseguem detetá-los. Têm feito muitos esforços para tentar localizar esses focos, mas não têm conseguido. A Câmara tem-se esforçado imenso, mas não consegue descobri-los, apesar de andar sempre a vigiar”, afirmou.

O caso mais grave, segundo este viveirista com 40 anos de atividade na Ria, é o da saída pluvial junto ao Cais do T, em plena zona ribeirinha da cidade algarvia e onde se apanham os barcos que fazem as ligações para as ilhas da Ria Formosa.

Augusto da Paz qualificou a situação como “horrível”, sobretudo na baixa-mar, porque "o mau cheiro é sentido por todos quanto passam no local".

Questionado sobre a influência que estes focos têm na produção dos viveiristas, o responsável da Cooperativa de Viveiristas da Ria Formosa, respondeu que, apesar de “não ser logo imediato, com o tempo tem”, porque cria as condições para que as amêijoas não resistam a um parasita interno que se desenvolve sobretudo na primavera.

“Se somarmos estes focos com o sol forte, com as águas dos terrenos agrícolas e os detritos arrastadas pelas chuvas, ao fim do ano tem influência na atividade”, afirmou, frisando que estes fatores todos somados provocaram a alta mortalidade das amêijoas verificada em 2011 e que provocou perdas entre 50 a 60 por cento da produção em toda a Ria Formosa.

“Morreram pequenas, médias e grandes. Às vezes morrem só as médias, mas este ano não houve reprodução sequer e temos um problema porque não temos juvenis. Só agora vão aparecendo alguns”, lamentou.

Augusta da Paz quantificou os prejuízos em “milhares largos de euros”, que deixaram “famílias quase descapitalizadas para este ano” e em “situação muito grave”.

A cooperativa tem atualmente, segundo o responsável, 107 sócios pagantes e o ano passado tinha 217 devido a estas perdas.

“Como é que é ambicioso jogar mil quilos de amêijoa ao mar e, ao fim de dois anos, apanhar só 200, quando se devia apanhar três mil?”, questionou, alertando que é fundamental o Governo ajudar a “eliminar os focos de poluição que ainda há na Ria, fazer dragagens e limpar os canais principais e secundários para haver uma grande oxigenação da água”.

A Lusa tentou obter esclarecimentos da Câmara de Olhão, mas até ao momento não obteve resposta.

Lusa

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