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As atividades, que tiveram início no passado dia 21 deste mês e se prolongam até amanhã, dia 29, têm como objetivo ocupar o tempo das férias letivas de 62 meninos do bairro da Atalaia e catequizá-los.

Ana Paula, dinamizadora do grupo de animadores voluntários que inclui membros dos 18 aos 45 anos (embora a maioria sejam jovens na casa dos 20 anos), explica à FOLHA DO DOMINGO que os destinatários são provenientes de “famílias complicadas” que as Missionárias da Caridade já apoiam, a grande maioria sem qualquer relação com a Igreja. “São miúdos que normalmente não têm regra nem disciplina sendo difícil fazer qualquer coisa com eles. Este ano, estamos a fazer este esforço para ver se se consegue «semear» alguma coisa mais”, refere.

Aquela responsável evidencia que esta iniciativa reflete uma preocupação das irmãs Missionárias da Caridade não só com utentes internos adultos, vítimas de situações extremas de pobreza, mas também com as crianças. “Pretendemos dar-lhes, ao longo destes nove dias, uma vida saudável com refeições equilibradas. Muitas destas crianças vêm aqui pedir para comer”, testemunha a voluntária, acrescentando que as Missionárias da Caridade apoiam regularmente cerca de 160 famílias com alimentos doados àquele instituto religioso que vive exclusivamente destas doações.

Esta atividade de verão com as crianças e adolescentes, que amanhã termina com uma festa de encerramento, não é nova. Já se realiza há cerca de seis anos, tendo sido iniciada por jovens espanhóis, mas há dois anos ganhou nova alma. No início procurava-se apenas valorizar a dimensão lúdica, com a realização de jogos e canções, mas agora as atividades são muito mais diversificadas.

Este ano dedicada a São Paulo, a iniciativa tem diariamente início com a realização de jogos para promover o acolhimento dos participantes (com idades compreendidas entre os 5 e os 17 anos) divididos pelos grupos com designações das comunidades destinatárias das cartas escritas pelo apóstolo. Depois do almoço, tem lugar na capela um tempo de oração sobre a carta paulina à qual é dedicado o dia, seguindo-se o lanche, uma aula de espanhol para facilitar o entendimento com os animadores daquela nacionalidade e um ateliê temático relacionado com a construção de crachás identificativos, molduras para fotografias ou instrumentos musicais ou outros como teatro ou culinária.

Ao longo desta semana e meia houve dias também dedicados às grandes viagens de São Paulo. Depois de terem passado a última quarta-feira na praia, em plena ilha da Culatra, onde participaram na celebração da Eucaristia, o dia de hoje é dedicado à incursão a Roma, partindo os participantes, trajados à época, para as «termas romanas» em que, por imaginação e fantasia, se «transformou» um dos parques aquáticos do Algarve.

Os animadores espanhóis, todos voluntários em instituições do seu país e quase todos com alguma ligação ao instituto religioso das Missionárias da Caridade, são estudantes oriundos de paróquias de Barcelona, Bilbau e Madrid e estão alojados na própria casa das religiosas, enquanto os portugueses, de Faro, vão dormir a casa. Entre os voluntários contam-se ainda dois seminaristas, um de Madrid, e o Nelson Rodrigues, da Diocese do Algarve.

Ana Paula considera que “há uma cultura muito fraca de voluntariado entre os jovens portugueses”. “Mesmo as pessoas que fazem voluntariado nas irmãs Missionárias da Caridade são maioritariamente mais velhas”, explica, testemunhando que, até há dois anos, os jovens portugueses não colaboravam naquele projeto Aquela responsável acrescenta ainda que a realidade espanhola também não é muito diferente. “Estes jovens espanhóis, que vêm aqui nas suas férias, também não representam aquilo que se passa em Espanha pois são muito poucos aqueles que fazem voluntariado”, assegura.

A voluntária alerta ainda para uma constatação que o trabalho no terreno tem revelado. “Achamos que não há consciência nenhuma daquilo que se passa nesta zona da cidade e não estamos a atingir o objetivo em termos de catequese, métodos e de outros meios”, adverte Ana Paula, referindo-se a uma tentativa no sentido de “envolver os padres da cidade”.

Ana Paula relata mesmo a existência de um grupo de jovens, familiares mais velhos dos que são agora destinatários da atividade a decorrer, que “precisam de um trabalho mais específico”. “São delinquentes que roubam, estragam, faltam às aulas e, aqui em casa têm, feito muita asneira”, conta, adiantando a programação de uma outra iniciativa destinada a estes.

Samuel Mendonça
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