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Zita Seabra e pe. Portocarrero de Almada vieram ao Algarve apresentar “Auto de Fé – A Igreja na inquisição da opinião pública”

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© Samuel Mendonça

Zita Seabra e o padre Gonçalo Portocarrero de Almada vieram ao Algarve na última sexta-feira apresentar o livro “Auto de Fé – A Igreja na inquisição da opinião pública”, lançado há um ano e que resultou precisamente de uma entrevista feita pela antiga dirigente do Partido Comunista Português ao sacerdote da Prelatura do Opus Dei.

Na apresentação a cerca de 80 pessoas, que teve lugar no Seminário de São José, em Faro, Zita Seabra, que dirige a Alêtheia, a editora responsável pela publicação, da qual é fundadora, explicou que o livro nasceu depois de ter acompanhado o padre Portocarrero de Almada a uma sessão às Caldas da Rainha, onde o ouviu responder com frontalidade e abertura a questões simples mas ao mesmo tempo complexas. “Quando pensei neste livro foi, exatamente, logo com o senhor padre Gonçalo pela capacidade que tem de sintetizar, de racionalizar e de entender que a fé e a razão são duas coisas que têm que andar juntas e de entender o mundo de hoje”, disse.

A editorialista disse que a publicação permitiu questionar um padre sobre aquelas perguntas que, provavelmente, todos gostariam de lhe fazer. “Foi uma experiência tão interessante fazer um livro, depois do diálogo que isso suscitou, um pouco pelo país todo porque as pessoas, quando se abre o diálogo para falar de fé, questionam mesmo. Aquilo que me deu grande gosto neste livro foi exatamente a capacidade que o padre Gonçalo teve de responder sem limite”, sustentou.

O padre Gonçalo Portocarrero de Almada destacou que o livro, resultante de uma conversa “muito espontânea e muito livre”, é “despretensioso”. “Não tem a pretensão de dar respostas definitivas mas de ajudar a refletir e a procurar para que a pessoa depois avance e caminhe noutro sentido”, explicou o sacerdote, garantindo que a “aposta” da sua entrevista é dar a conhecer a “realidade estupenda que é a Igreja como corpo de Cristo e mistério de comunhão.”

Na publicação, de 270 páginas que está à venda por 14 euros na livraria Paulinas, em Faro, e que o cónego José Pedro Martins, o pároco da Sé de Faro responsável pelo convite à sua apresentação no Algarve, considerou como “um fruto do Ano da Fé na medida em que se situa na dimensão da interpelação à própria Igreja e a este nosso contexto cultural”, são abordados temas como a santidade, a família, a Igreja, a fé, o sacerdócio, o Opus Dei e a eternidade.

À pergunta de Zita Seabra se “a fé só singra na ignorância junto de pessoas incultas”, como defendia uma tese muito expandida desde o século XVIII, o entrevistado responde que a “ideia que a pessoa que tem fé é um ignorante é uma contradição porque a fé é um conhecimento, (…) uma sabedoria.”

A propósito do mal, o padre Portocarrero de Almada lembra que “Deus está, sem dúvida nenhuma, na criação do ser humano que é capaz do bem e do mal.”. “Se o ser humano não fosse capaz do mal, também não seria capaz do bem e não seria livre. Se não fosse livre não seria capaz de amar porque o amor ou é livre ou não é. Se não há liberdade, não há amor e a grandeza do homem está no amor. Portanto, Deus não nos teria feito capazes de amar se não nos tivesse feito livres e ao fazer-nos livres fez-nos capazes de mal mas não para o mal que surge na vida humana por defeito e não efeito da criação”, lê-se no livro.

Na abordagem que a entrevista faz sobre o Opus Dei, à pergunta de Zita Seabra: “Há um lado obscuro, uma parte secreta da obra que não é divulgada? Isso existe?”, o padre Gonçalo responde: “Não. Pode ser que isso possa parecer, mas não corresponde minimamente à realidade. Muitas vezes, de facto, isso foi alimentado, creio eu que muito artificialmente.”

Os autores adiantaram ainda a publicação de um novo livro sobre as parábolas do Novo Testamento. “As parábolas são um grande espaço de liberdade que permitem grandes conversas e grandes diálogos porque nas parábolas encontramos histórias de uma enorme imaginação, completamente inverosímeis. Cada parábola tem possibilidades imensas de conversa, de aprendizagem, de discussão, de inquietação que penso que é muito daquilo que hoje, muita gente, tem na sua vida”, disse Zita Seabra.

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