O bispo do Algarve foi ao Estabelecimento Prisional de Faro na passada quinta-feira, 18 de dezembro, para uma celebração de preparação para o Natal com os reclusos.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A iniciativa foi promovida pela equipa da Pastoral Prisional da Diocese do Algarve que visita semanalmente os Estabelecimentos Prisionais de Faro e Olhão, que integra duas consagradas, Missionárias da Caridade, e uma Missionária Reparadora do Sagrado Coração de Jesus.

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D. Manuel Quintas disse aos reclusos que o Natal exorta também à mudança de vida. “Em cada Natal é como se fossemos nós a renascer homens novos, pessoas novas, que acreditam que é possível ser diferente, viver de maneira diferente e que o sofrimento e a situação por que passamos pode ser diferente. É este amor de Deus que Jesus nos mostrou que nos transforma, faz de nós pessoas novas, com sentimentos novos, pessoas renovadas”, afirmou o bispo diocesano na celebração que contou também com o assistente do Setor Diocesano da Pastoral Prisional, o cónego Carlos César Chantre, e com a responsável do mesmo organismo, Corinna Cappozzo.

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D. Manuel Quintas exortou os detidos a “cultivar sempre a esperança no coração e na vida”. “Podemos ser sempre diferentes daquilo que fomos. É mais importante o futuro do que o passado. É mais importante o que está para vir e isso deve ser o motor, algo que não nos deixa desanimar, nem esmorecer, nem perder a esperança”, afirmou, lembrando que esta quadra é também a “festa de alegria e esperança”.

O bispo do Algarve disse que gostaria que a sua presença “não fosse vista como alguém distante, longínquo”. “Pelas circunstâncias é difícil encontrarmo-nos mais vezes, mas que este bocadinho que vamos passar juntos aqui possa significar para cada um de nós que o Natal é importante nas nossas vidas porque nos traz essa presença de Alguém que nos aceita como somos e não faz acepção, distinção, das línguas, da cultura, da nossa proveniência, da nossa vida passada. Para Ele contamos nós no momento presente e conta o futuro marcado pela esperança”, sustentou, garantindo que Deus tem para todos “um olhar de amor, de misericórdia, de bondade”.

O responsável católico disse seguir o trabalho feito naquele estabelecimento pela equipa da Pastoral Prisional. “Acompanho e estou presente, ainda que não fisicamente, espiritualmente com a equipa diocesana da pastoral penitenciária que leva para a frente este trabalho como muito gosto, muita alegria, dando o melhor de si mesmos para ser presença deste Jesus que vamos agora celebrar o seu nascimento”, afirmou aos detidos, acrescentando que os tem “sempre presentes” na sua oração, “bem como os de Silves e de Olhão”, referindo-se aos restantes dois estabelecimentos prisionais no Algarve.

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O diretor dos Estabelecimentos Prisionais de Faro e Olhão começou por agradecer a presença do bispo do Algarve. “Sempre tivemos muito boa relação com a Igreja e com a pessoa do senhor bispo”, afirmou José Joaquim Pedreira.

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Aquele responsável dirigiu-se depois aos 15 reclusos presentes. “Aproveitem este momento para refletir que nunca é tarde para mudar. Todos nós cometemos erros. É sempre com tristeza que vimos que algum recluso regressa depois de sair em liberdade. É sinal de que alguma coisa está a falhar, de que nós estamos a falhar e de que a sociedade está a falhar, mas tem de começar pela própria pessoa fazer por isso”, afirmou.

O Estabelecimento Prisional de Faro acolhe atualmente 112 reclusos, embora só tenha capacidade para 103. Segundo explicou o adjunto da direção ao Folha do Domingo, a maioria dos detidos está a cumprir pena por comportamentos associados ao consumo e tráfico de droga. António Rosado acrescentou que percentagem regista-se entre os 60 a 65%. Aquele responsável explicou ainda que os reclusos permanecem no máximo naquele estabelecimento até cumprirem 6/7 anos de pena e se tiverem penas superiores são então transferidos para outras cadeias no país.

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Questionado sobre a relevância do serviço da assistência espiritual e da pastoral penitenciária, António Rosado garantiu ser de “extrema importância”. “Connosco, direção e técnicos, os recursos nem sempre desabafam. É mais fácil desabafarem com outras pessoas”, testemunhou, explicando que os elementos da pastoral prisional ouvem “sem qualquer tipo de julgamento”. “Isso para o ser humano é de extrema importância”, declarou, assegurando que aquele acompanhamento se reflete depois no comportamento dos detidos. “Acabam por ficar mais tranquilos e evitam mais os conflitos”, sustentou.

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A celebração na cadeia de Faro ficou ainda marcada pelo testemunho de Alexandre Piedade, que integrou há dois anos a equipa da Pastoral Prisional de Faro e Olhão. Aquele voluntário integrou o contingente português em Roma que participou no Jubileu dos Reclusos com o Papa Leão XIV, de 12 a 14 deste mês, com a participação de 6000 peregrinos de 90 países. O grupo nacional foi encabeçado pelo padre José Luís Costa, coordenador da Pastoral Penitenciária da Igreja Católica em Portugal.

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“Foi muito enriquecedor”, garantiu, explicando que os 33 portugueses tiveram oportunidade de atravessar as quatro Portas Santas, visitar as respetivas igrejas e participar na Eucaristia com o Papa que teve o particular simbolismo de as hóstias para a celebração terem sido foram produzidas por reclusos das prisões italianas.

O programa incluiu ainda na sexta-feira, 12 de dezembro, uma conferência na Universidade LUMSA, de Roma, sob o tema ‘O Direito à Esperança no Cinquentenário do Sistema Penitenciário’, prosseguindo com dias de estudo e oração organizados pelos capelães prisionais italianos. O Jubileu dos Reclusos foi o último grande encontro mundial do Ano Santo dedicado ao tema da esperança, antes do seu encerramento (6 de janeiro de 2026).

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Mas Alexandre Piedade contou que a principal motivação que o levou a participar naquele Jubileu foi poder «trazê-lo» aos reclusos que acompanha. “É muito difícil levar um grupo de reclusos a Roma. Então fiz ao contrário e «trouxe» a Porta Santa a vocês”, explicou o engenheiro informático que captou imagens de realidade virtual e as mostrou depois da celebração, através de equipamento próprio, aos reclusos e a alguns membros da direção e guardas prisionais.

Algarvio participou no Jubileu dos Reclusos em Roma para «trazer» a Porta Santa aos reclusos do Algarve