O presidente da Associação Mundial de Empresários Cristãos (UNIAPAC) Europa afirmou na passada quinta-feira, na tertúlia sobre a temática “Deus no Trabalho”, promovida pelo grupo de jovens das paróquias de Lagos, que o dinheiro é “bendito” se a sua finalidade for “promover a economia do bem comum, a solidariedade, a subsidiariedade, o destino universal dos bens e a dignidade das pessoas”.

João Pedro Tavares, que entre 2015 e 2025, foi presidente da ACEGE – Associação Cristã de Empresários e Gestores, alertou naquela iniciativa que teve lugar no salão paroquial da Luz de Lagos que “a ambição não é má, mas tem de estar ordenada aos fins maiores” porque não pode levar a “ensoberbecer” ou “para vaidade”, mas a “mais servir e crescer”.
Nesse sentido, aquele consultor, que desde 2002 integra também o conselho de administração do Santander Portugal, advertiu para uma confusão. “Muitas vezes confundimos sucesso com propósito, diversão com alegria e plenitude com êxito”, lamentou.
Aquele responsável prosseguiu considerando que “a diferença entre um homem bom e um santo é que o homem bom quer fazer coisas boas”, enquanto “o santo quer fazer o que Deus lhe pede”. João Pedro Tavares disse ser “sortuda a empresa que tem um cristão” que se questiona “«Senhor, o que queres de mim neste lugar?»”. “Não é fácil porque há situações difíceis, tensões, discussões, mas nunca nos foi prometido que vida ia ser fácil. Foi-nos prometido que ela ia ser plena”, sustentou.
Com base em encíclicas papais de Bento XVI e de Francisco, o orador apresentou ainda aos líderes empresariais três perguntas a que desafiou a responder: “Somos pessoas Caritas in Veritate?; as nossas empresas são Fratelli Tutti?; o espaço em que vivemos é Laudato Sí?”.

Relativamente à primeira questionou os empresários se vivem “o amor e a verdade como critérios de gestão”, advertindo que “amor sem verdade é contrafação” e que “verdade sem amor é perda de relação”.
No que toca à segunda, alertou para a necessidade do “amor social” e perguntou concretamente: “trato os outros com proximidade? Não trato de cima para baixo, mas de baixo para cima porque sirvo? Morro para que o outro cresça mais? Importo-me que os outros sejam melhores do que eu? Será que há uma maneira Fratelli Tutti de despedir alguém?”.
A propósito contou que em Lisboa foi criado um projeto ‘Mercado Fratelli Tutti’ que tem como destinatários trabalhadores que não passam por processos normais de recrutamento porque têm “instabilidades na sua vida” e vivem com “muita fragilidade” ou “problemas de saúde”. “Fazemos o acompanhamento destas pessoas e rezamos para encontrar um líder empresarial que esteja na disposição de as acolher. Encontrei líderes empresariais que o fizeram e reconstruíram alguém que estava em cacos”, disse, explicando esses benfeitores foram os donos do grupo Júpiter Hotéis.
No que concerne à terceira pergunta, questionou os empresários se as suas empresas são “espaço que louva o Senhor, que o reconhece como criador”. “É um espaço que não só cuida do presente, como cuida das futuras gerações?”, prosseguiu.
“O que é que quero que digam de mim um dia?”, interpelou ainda João Pedro Tavares considerando que “o erro do passado foi escolher entre carreira ou família”. “O mundo cristão é carreira, família e fé. Tudo junto”, defendeu, acrescentando que os líderes cristãos devem “viver em unidade de vida”. “Antes de sermos líderes ou trabalhadores, somos cristãos”, reforçou.

Lembrando que os propósitos da ACEGE são “inspirar líderes, transformar empresas e influenciar a sociedade”, enumerou as suas “três grandes iniciativas”. Sobre os “pagamentos pontuais”, denunciou que só 6% das grandes empresas paga a horas. “É uma vergonha”, considerou. Exortando a “empresas familiarmente responsáveis”, defendeu que a responsabilidade empresarial é para com as famílias do colaborador, particularmente as que integram pessoas com deficiência, idosos e crianças. E incitou aquelas organizações a erradicar a pobreza nas empresas. “Em Portugal, 30% dos pobres trabalham. Um líder empresarial tem de avaliar como é que está a situação de pobreza dos seus colaboradores”, observou, lembrando que “não há pessoas pobres”, mas “famílias pobres”.
Referindo-se aos grupos ‘Cristo na Empresa’, da ACEGE, explicou que “servem também para tomar decisões” como o aumento de salários ou o despedimento de trabalhadores. “Ali é que é o nosso «altar». É ali que somos chamados a nos santificarmos”, metaforizou.
Realçando que “o modelo de liderança cristã é um modelo de coliderança”, João Pedro Tavares aconselhou o empresário a “não caminhar sozinho, a pedir ajuda e a ser humilde” e a “manter a curiosidade” para “querer mais e aprender”.
Integraram ainda a tertúlia Paulo Dehnhardt, fundador da PnP Hire Talent Solutions, que trabalha com empresas de inovação e tecnologia no recrutamento de talento estratégico e o casal Maribel Sequeira e Miguel Sequeira, proprietários da cadeia de hotéis Júpiter.
“Está sempre presente a preocupação de criar riqueza e de a distribuir com justiça”








