Os trabalhos de conservação e valorização da Sé de Silves financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), iniciados em outubro do ano passado, terminaram no passado dia 31 de agosto.
A obra incluiu a recuperação de coberturas e fachadas, a conservação e restauro de cantarias, proteção de vãos com redes em caixilho, recuperação de caixilhos exteriores em madeira, remoção de vitrais para restauro posterior, rebocos exteriores e pintura final. Foram ainda restaurados os painéis em vitral.
Os trabalhos, executados pela Câmara de Silves, contaram um apoio de 1,2 milhões de euros provenientes de fundos comunitários do PRR, sendo o financiamento contratualizado através do Fundo de Salvaguarda do Património Cultural. Para além disso, a autarquia assegurou o restauro dos vitrais com 60.000 euros.
As obras na Sé de Silves, classificada como Monumento Nacional desde 1922, prosseguirão agora com a abertura de uma porta lateral para acesso de pessoas com mobilidade reduzida no lado esquerdo do transepto. Essa obra, orçamentada em cerca de 50.000, será suportada pela Câmara de Silves.
Também o batistério, interdito devido ao pavimento estar danificado, irá ser recuperado pela Câmara Municipal e será ainda feito o arranjo dos degraus da escada de acesso à torre, sendo que a autarquia fará ainda a sua iluminação. Segundo adiantou o pároco de Silves ao Folha do Domingo, será ainda restaurado o altar do Calvário, degradado pelas águas pluviais, contando a paróquia já com alguns apoios da Caixa Agrícola, do Cabido da Sé de Faro e de particulares. O padre Rafael Rocha agradece ainda aos paroquianos pela limpeza da Sé e arrumações ao longo dos trabalhos de restauro.
As últimas obras de vulto na antiga catedral da Diocese do Algarve, e que contemplaram a substituição das coberturas das três naves, tinham sido realizadas em 2010, apoiadas pela Câmara Municipal, a então Entidade Regional de Turismo do Algarve, a paróquia e por mecenas como o empresário Vasco Pereira Coutinho ou a Fundação Aga Khan.
Considerado como um dos templos mais notáveis da arquitetura gótica do Algarve, a Sé de Silves foi provavelmente foi mandada erigir nos finais do século XIII, após a conquista definitiva da cidade, em 1248 ou 1249, por D. Paio Peres Correia. A antiga catedral apresenta um estilo gótico, deturpado pelas sucessivas reconstruções e restauro a que foi votado, mas “conserva a sua essência claramente gótica, que remonta maioritariamente ao século XV e é contemporânea da primeira globalização comercial da Época Moderna”, sendo os principais materiais utilizados na sua construção o arenito vermelho (grés de Silves) e os calcários dolomíticos de Silves. A planta de cruz latina é formada pela abside e transepto. Com uma altura de, aproximadamente, 18 metros, a nave central é mais elevada que as duas laterais.

No átrio interior podem observar-se vários sarcófagos, incluindo o túmulo de D. João II que aqui foi sepultado em 1495, tendo os seus restos mortais sido transladados para o Mosteiro da Batalha quatro anos depois.
A nova estética barroca, séculos XVII e XVIII, materializou-se na renovação da fachada principal e na torre sineira. A porta lateral sul, datada de 1781, ostenta decoração de estilo rococó.
Foi sede de bispado até 1577, data em que o bispo D. Jerónimo Osório a transferiu para Faro.











