O Setor da Pastoral Universitária da Diocese do Algarve em conjunto com a Capelania da Universidade do Algarve (UAlg) promoveu, no passado dia 28 de outubro, no Seminário de Faro, uma noite de partilha e reflexão sobre o tema da missão, que contou com os testemunhos de duas jovens que viveram experiências missionárias em diferentes contextos.
A iniciativa procurou ajudar os participantes a refletir sobre as diferentes formas de viver a missão e de servir a Deus através dos outros, a partir de experiências concretas de voluntariado missionário.
O encontro contou com os testemunhos de Beatriz Bernardo, de 25 anos, natural de Lisboa, mas residente em Armação de Pêra desde os dois anos, que esteve dois anos em São Tomé e Príncipe, entre 2023 e 2025, ao serviço dos Leigos para o Desenvolvimento, e de Érica Santos, de 26 anos, natural de Olhão, que participou na primeira edição da ‘Missão País’ promovida pela UAlg, em fevereiro de 2020, em Alcoutim.

Beatriz Bernardo partilhou o percurso que a levou a integrar os Leigos para o Desenvolvimento, uma organização católica ligada aos Jesuítas que envia voluntários para trabalhar em conjunto com comunidades locais em países como Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe. A jovem explicou que o trabalho desenvolvido passa, antes de mais, por conhecer as realidades locais, escutar as pessoas e compreender as suas necessidades, envolvendo os diferentes representantes das comunidades na identificação de dificuldades e na procura de soluções.
“Se eu quero ir ao serviço do outro, eu não vou impor as minhas lógicas, eu vou ouvir o que é que o outro precisa”, afirmou, sublinhando que a missão exige disponibilidade para aprender com as culturas de acolhimento e colocar o próprio tempo ao serviço das pessoas.
A experiência, que inicialmente deveria durar um ano, acabou por se prolongar por mais um, sendo marcada também pelos desafios da adaptação a uma realidade diferente, nomeadamente pelas dificuldades no acesso à água e à eletricidade e pela distância da família. Ainda assim, Beatriz considerou que os dois anos foram uma experiência profundamente espiritual, que a ajudou a crescer na confiança, na entrega e na capacidade de se deixar conduzir por Deus.

A jovem destacou igualmente a importância da vida comunitária e da oração, que diariamente reunia os voluntários e constituía um apoio fundamental nos momentos mais exigentes. No final, deixou o convite aos presentes para conhecerem os Leigos para o Desenvolvimento, que estão a iniciar novos processos de formação de voluntários, incluindo através de um núcleo online.
Por sua vez, Érica Santos partilhou a experiência vivida na ‘Missão País’, em Alcoutim, entre 2 e 9 de fevereiro de 2020, numa iniciativa acompanhada pelo padre Nuno Tovar de Lemos. A jovem recordou o impacto que teve encontrar outros universitários disponíveis para dedicar parte do seu tempo aos outros e a importância que a oração foi assumindo ao longo daqueles dias.
Entre as experiências que mais a marcaram, destacou as visitas às casas das pessoas, que lhe permitiram contactar de perto com as suas vidas e reconhecer a importância da presença e da proximidade. “Mais do que receber, a alegria está no dar. E eu recebi muito mais do que aquilo que dei”, testemunhou.

Érica considerou que a missão lhe permitiu reconhecer a presença de Jesus na vida daqueles com quem se cruzou, recordando especialmente a alegria das crianças com quem os voluntários conviveram através de momentos de música, dança e brincadeira.
No final da partilha, o padre António de Freitas, capelão da UAlg, salientou que os testemunhos permitiram compreender que a missão não depende necessariamente de grandes recursos ou de muitas atividades, mas sobretudo da disponibilidade para oferecer a própria vida.

“Aquilo que precisamos levar é a nós próprios. E a partir dali Deus faz o resto”, afirmou, acrescentando que Deus também se manifesta através da comunidade que acolhe e acompanha.

O sacerdote desafiou ainda os participantes a darem uma oportunidade à missão, sublinhando que estas experiências permitem adquirir uma nova consciência da vida e da presença de Deus, bem como crescer na maturidade e na capacidade de fazer o bem aos outros. “Muitas vezes isto não é perder tempo, antes pelo contrário, é darmos tempo à nossa vida e à oportunidade de crescermos”, afirmou, concluindo que “vale a pena arriscar”.
Capelania da UAlg de portas abertas
A Capelania da UAlg recorda que a sua sala está aberta à comunidade académica, constituindo um espaço de encontro, partilha, oração, convívio e estudo, onde os estudantes podem também conversar com o capelão ou encontrar momentos de silêncio.
O espaço funciona na sala F1, nos pavilhões de alvenaria do Campus de Gambelas, às segundas-feiras, das 10h00 às 12h30, às quartas-feiras, das 14h30 às 17h00, e às quintas-feiras, em horário alternado: das 10h00 às 14h30 numa semana e das 14h30 às 17h00 na seguinte.











