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FOI a 27 de Outubro de 2005, que o Conselho da Europa, assinou em Faro, com pompa e circunstância, a esquecida Convenção de Faro. Nesse ano celebrava se a Cidade de Faro como Capital da Cultura Portuguesa. Reparamos que por de Faro, desde há cinco anos, ficámos a aguardar o que o Conselho da Europa determinava, entre nós, essa capacidade de intervenção sobre o Valor do Património Cultural. Muito pouco… muito pouco! Perdendo-se essa postura de Cultura exigida e continuada.

Queixa-se o Director do Centro Nacional de Cultura e Presidente do Tribunal de Contas Doutor Guilherme d’Oliveira Martins que, o Conselho da Europa ao aprovar a "Convenção de Faro", das novas Convenções da UNESCO, tem que ser prosseguida e aprovada. Era, também afirmado, citando Shakespeare, que a memória é a sentinela do Espírito.

Têm tido as autoridades (tendo a Convenção a abrangência nacional, referimo-nos à regional algarvia) essa capacidade abrangente e financeira em sentido e vontades que o Conselho da Europa indica?

Nesta celebração, que parece, como habitualmente, ser mais de circunstância que de eficácia, o Grupo de responsabilidades para a declarada intervenção, é reduzida. Ninguém pode esquivar-se às suas responsabilidades: Câmaras Municipais do Algarve, Governo Civil, Direcção Regional de Cultura, ARTA, Universidade do Algarve, entre outras Instituições.

Mas fiquemos pela capital do Algarve; passemos com olhos de ver como a cidade está sem vida, em baixa moribunda: a igreja da Misericórdia em estado pelintra, do seu interior de abóbada arruinada, vertendo humidade, sacrificando o tesouro pictórico, em arte de séculos. O exterior, para quem lhe olha, em desdém de desleixo. Andando para a rua D. Francisco Gomes de Avelar, lá temos o Café Aliança em jazigo. Que tristeza! Um espaço que foi actuante nos diversos compartimentos do viver social, cultural, civilístico, político, cívico do viver da cidade. Um edifício que marca o tempo histórico e humanamente rico, como passagem de figuras fulgurantes, locais, regionais, nacionais e internacionais, desde o início do século XX; que por isso mesmo foi reconhecido pelas Autoridades da cidade e da Nação, levando-o à classificação de todo o Património Integrado de Relevância Cultural, Portador de uma Memória Colectiva da Cidade de Faro, Edital N.º 96/04, de 25 de Março de 2004, designadamente os artºs 36.º, 37.º, 42.ºe 45.º da Lei n.º107/2001,de 8 de Setembro, etc, etc, assim determinou o Ministério da Tutela, o IGESPAR, IP, Câmara Municipal de Faro. O que falta para que se cumpre a Lei. Para satisfação do cumprimento de uma Lei Portuguesa, e crédito de uma cidade, que espera que se cumpra.

Seguindo a linha de água da Ria Formosa; indo rente à Muralha do Castelo de Faro, passando a Porta Renascentista, seguimos o passeio, de palmeiral perdido, para S. Francisco. Antes de atingirmos o Baluarte-Revelim, denominado durante os tempos preté-ritos, como "Mesa dos Mouros", afastemos o olhar para a Ria, que ver o Revelim, dói! Não há IGESPAR que olhe àquela ruína histórica, em que todos os dias os indígenas ou turistas se intrigam, que é isto? Senhor da ARTA faça um pedestre e certifique-se, no olhar, o que deve olhar, como responsável em pelouro do turismo, ou chamar a atenção para quem de direito. Para isso existe. Para isso é recompensado e pago! O Revelin, de nome, em arquitecto italiano, serviu-nos, como obra de defesa, em nova engenharia de guerra, no período da Restauração, em séculos de construção e de utilidade, tanto que está na classificação de Monumento Nacional.

Faro é uma cidade sem vergonha pelos responsáveis da nossa exigência…

Faro merece que a distinguem no seu merecimento de cidade milenária. Foi preciso chegarmos ao século XXI para esta situação de… desleixo e de tantos defeitos irresponsáveis.

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