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O desafio de hoje em Budapeste foi a vivência do “dia da Fé”. Experiência pessoal de encontro com o Senhor, a Fé não é o seguimento de uma conjunto de normas ou busca de ilusões, mas o encontro com Jesus Cristo”(Bento XVI, DCE 1). Para que a Fé aconteça dessa forma e crie raízes é preciso que a madeira esteja seca e tenha condições para arder. Nesta linha, todo o dia decorreu a partir da certeza de que é preciso alimentar o referido encontro com o Senhor, especialmente pela Eucaristia, para que a vida seja também ela eucarística e o testemunho cada vez mais evidente.

O Cardeal de Zagreb recordou-nos que o Senhor escolhe sempre “o que é fraco para confundir os fortes” (1Cor 1, 27) porque a Sua força divina manifesta-Se na debilidade de quem reconhece a Deus e O segue. São os pequenos que confiam em Deus em todas as situações e que descobrem a Eucaristia como “remédio e não como prémio” (Papa Francisco). É como pequenos e de mão estendida que nos aproximamos do Senhor para ser por Ele reedificados e chamados a tomar parte do Seu banquete, mesmo quando os limites impostos pela história de cada um nos fazem acreditar que não somos merecedores. E de facto não somos! Somos chamados e escolhidos por graça e não por merecimento.

O cardeal de Praga recordava-nos a importância do evento que estamos a viver. O congresso eucarístico internacional na senda dos anteriores vem refrescar-nos com a força do Espírito para fazermos de Jesus, que é a salvação da humanidade, o rosto e a identidade do nosso trabalho missionário que deve olhar o passado como esperança e o futuro na identificação plena com o próprio Cristo”. Percebemos, então, que mais importante que as palavras é o testemunho pois “o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas que que os mestres ou então se escuta os mestres, é porque são testemunhas” (S. Paulo VI).

A homilia da missa por parte do cardeal do Luxemburgo animou os participantes do CEI a rezar pela Fé, pela Igreja e por uma Fé com Esperança e Caridade uma vez que a Fé sem trabalho está morta. – “Que a Fé nos abra ao Deus vivo”! Esta deve ser hoje a missão da Igreja na Europa: fazer acontecer de forma renovada o anúncio querigmático de sempre: “o Senhor morreu e ressuscitou, está vivo e nós já O experimentámos, somos testemunhas disso”.

A parte da tarde tocou a nossa sensibilidade por duas causas, entre as outras propostas, que manifestam a vulnerabilidade do mundo em que vivemos.
Os limites políticos das duas Coreias fazem-nos perceber que o ódio entre irmãos cria mártires, provoca prisões (sobretudo de afectos) e não gera oportunidades de vida plena. A jovem igreja da Coreia vive as dores de crescimento próprias de quem não teve tempo de fazer caminho, de quem não maturou a vida e ainda não reconstruiu os escombros de uma história devastada pelas invasões, pela guerra civil e pela divisão e ódio fratricida em que ainda vive. Impeliu-nos o cardeal a que com ele e a sua igreja rezássemos pela reunificação e liberdade da Fé nas duas Coreias e que diante de todos os retrocessos civilizacionais de âmbito moral fossem capazes de alegremente propor a Fé como meio para o convívio e especialmente como forma de vida.

Numa perspectiva diferente o testemunho de D. Andrea Dellatorre, George Sxhwartz e a comunidade Cenáculo levou-nos a contemplar o flagelo da toxicodependência. Os testemunhos evidenciaram que a primeira busca é a da felicidade fácil, depois é a da dependência e, por fim, já no caminho e no estado de cura é a maturidade interior de tudo entregar ao Senhor”.

Dos dramas existenciais passamos a uma página de esperança renovada que amanhã aqui se viverá. Será o “dia da família”. Estaremos na ilha Margarida e aí, propondo o Evangelho da família também nós faremos festa pelas maravilhas que o Senhor faz e por termos esta possibilidade de viver este dom admirável que nos transforma como pessoas, cristãos, e a mim como padre.

Padre Pedro Manuel, delegado da Diocese do Algarve
ao CEI – Budapeste 2020 (em 2021)

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