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Nos tempos difíceis que a Europa atravessa e na crise económica em que o nosso país está mergulhado, celebrar a festa do 1.º de Maio merece, sem dúvida, uma séria reflexão.

Como será possível, entre nós, celebrar uma festa dos trabalhadores se mais de sete centenas de milhar deles estão sem trabalhos?!…

O dinheiro, as finanças e sobretudo a cupidez dos grandes donos do capital tanto negociaram e especularam vendendo e comprando dinheiros, facilitando aos países e às sociedades o acesso a empréstimos sem limites que, irreflectidamente, os governos e os próprios cidadãos se endividaram, que todos vieram desembocar no estado calamitoso em que se encontram!…

Nestas circunstâncias, o 1.º de Maio servirá, sem dúvida, para recordar as conquistas que os trabalhadores, com legitimidade, conseguiram alcançar mas, ao mesmo tempo, necessário se torna que, apesar de todos os apertos e dificuldades actuais, o direito inalienável ao trabalho, remunerado com justiça, não pode deixar de estar sempre presente nas preocupações de todos os trabalhadores sobretudo daqueles que se encontram no desemprego.

Por isso, é necessário que o 1.º de Maio seja comemorado sem manipulações por esta ou aquela organização, pois, nenhum grupo ou classe deve ter o monopólio desta festa porque ela é de todos os trabalhadores para todos e com todos.

Sim, todos quer desenvolvam a sua actividade no campo ou nas minas, nas fábricas ou nos escritórios, na construção civil ou no mar, no consultório, no gabinete de estudos, enfim, em toda e qualquer actividade exercida pela pessoa humana.

A Festa do 1.º de Maio é ainda ou deve servir também para rever em que medida o trabalhador, no ambiente de sua actividade, se sente e vive, como autêntica pessoa, como diz o Beato João Paulo II na sua Encíclica “Laborem Exercens”: «dotado de subjectividade, capaz de agir de maneira programada e racional, capaz de decidir por si próprio e de realizar-se a si mesmo. Pois é como pessoa que o homem é sujeito do trabalho. É como pessoa que trabalha e realiza diversas acções que fazem parte do processo de trabalho.

Estas, independentemente do seu conteúdo objectivo, devem contribuir todas para a realização da sua humanidade e para o cumprimento da sua vocação como pessoa…

Joaquim Mendes Marques

O autor deste artigo não o escreveu ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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