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A  ÁGUA VIVA DO ESPÍRITO SANTO

1 – No último artigo, já falámos do Espírito Santo, na sequência da simbologia da água. Hoje, vamos dar continuidade ao tema, visto que a riqueza deste símbolo não se esgota em meia dúzia de linhas. Jesus disse um dia que do seio daquele que nele acreditar correrão rios de água viva (Cf.Jo.7,38); e referia-se ao Espírito Santo, segundo comenta São João (Cf. Jo 7,39).

Com a ajuda de uma citação de São Gregório de Nazianzo, vimos como o Espírito Santo, o Dom de Deus, se manifesta sob prismas muito diversificados. Hoje, vamos recorrer também a um Padre da Igreja, do século IV, São Cirilo de Jerusalém, para que nos ajude a aprofundar, ainda mais, a beleza da actuação do Espírito Santo (a água viva), em cada um de nós, de acordo com a qualidade de cada um.

2 – «Novo género de água esta que vive e jorra. Porque é que o Senhor dá o nome de «água» à graça do Espírito? Certamente porque tudo tem necessidade de água; ela sustenta as ervas e os animais. A água da chuva cai dos céus; e, embora caia sempre do mesmo modo e na mesma forma, produz efeitos muito variados. Não é, de facto, o mesmo, o efeito que produz na palmeira e na vide, e assim em todas as coisas, embora a sua natureza seja sempre a mesma e não possa ser diversa de si própria. Na verdade, a chuva ao cair sobre a terra, acomoda-se às estruturas dos seres que a recebem, dando a cada um deles o que necessita.

De maneira semelhante, o Espírito Santo, sendo único, com uma única maneira de ser e indivisível, distribui por cada um a graça como Lhe apraz. O Espírito tem um só modo de ser; mas, por vontade de Deus e pelos méritos de Cristo, produz efeitos diversos.

Serve-se da língua de uns para comunicar o dom da sabedoria; ilumina a inteligência de outros com o dom da profecia. A uns fortalece-os na temperança, a outros ensina-lhes a misericórdia; a estes inspira a prática do jejum e os exercícios da vida ascética, e àqueles a sabedoria nas coisas temporais; a outros, prepara-os para o martírio. Enfim, manifesta-se de modo diferente em cada um, mas permanece sempre igual a si mesmo, como está escrito: A cada um é dada a manifestação do Espírito para o bem comum»(1)

(1) São Cirilo de Jerusalém, Catequese16 sobre o Espírito Santo, 1,11-12 (PG 33, 931-935).

* Bispo Emérito do Algarve

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