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1 – Na última reflexão sobre a linguagem dos sinais, pudemos observar como, desde tempos muito remotos, o «ar» é considerado um elemento da natureza indispensável à vida sobre a terra.

Hoje, vamos prestar uma atenção especial a alguns dos seus significados derivados e simbólicos. É que, para além da importância objectiva do «ar», há nele um valor subjectivo de que não se podemos abstrair.

A palavra «ar» usa-se em vez de «vento» frio, ou de «brisa» fresca da manhã. Dizemos: «hoje está um ar cortante» ou «esta manhã, estava um «ar fresquinho». Mas também o identificamos com o seu oposto, quando, em pleno Verão, dizemos: esta tarde estava um «ar sufocante» ou «era um «ar abafado que nem se podia respirar»!

2 – Mas, a palavra «ar» também pode usar-se para indiciar algo oco ou vazio, quando, a respeito de alguém, dizemos que é só «ar», isto é, só aparência, sem conteúdo interior; ou então, como algo de momentâneo e passageiro: «foi um ar que lhe deu», sinónimo de que tudo aconteceu de modo muito rápido. Mais na linha simbólica, «ar» pode querer dizer expressão do rosto, ou aparência: «está com um ar abatido»; indício ou vislumbre: «havia no rosto um ar de felicidade»; elegância, aprumo: «tinha um ar nobre»; marcar presença ou não se esquecer: «antes de partir de viagem, dê um ar da sua graça».

Tendo presentes todos estes significados, não podemos esquecer outros como: «ir pelos ares, mudar de ares», etc.

Dir-se-ia, pois, que o elemento «ar» ou «ares» é rico de significados, desde poder indicar a simples «respiração», o «vento», o «sopro», a «tempestade» ou ainda muitos outros significados.

3 – Na antiguidade clássica o «ar» é considerado como algo oposto à matéria. Quer Platão quer Aristóteles consideram-no como dotado de imaterialidade, inextensão, incorruptibilidade, imortalidade. Embora tais atribuições sejam discutíveis; e, fisicamente, não correspondam à verdade objectiva dos seus elementos constitutivos (mistura gasosa constituída principalmente por nitrogénio (78%) e oxigénio (21%), não deixa de ter sentido que se lhe atribuam tais propriedades, dada a sua natureza de intocável sensitivo.

* Bispo Emérito do Algarve

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