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A lucidez do farense Rui Machado na maturidade como tenista profissional

Rui_machadoRui Machado, que no último fim de semana somou a sua 26.ª internacionalização na Taça Davis, vive uma fase diferente na carreira, que lhe permite viver o ténis com maior lucidez e sem a presença de um treinador.

Aos 30 anos, a caminho dos 31, Rui Machado já passou por todas as fases que um tenista pode passar. Foi jovem promessa, tenista consagrado, o melhor português (59.º) até João Sousa. Passou por lesões difíceis, caiu para a 436.ª posição do ‘ranking’ mundial. Em fevereiro, viajou para o Sri Lanka e conquistou três torneios em outras tantas semanas, somando 19 vitórias consecutivas, que tiveram um ponto final na final de Vale do Lobo.

“É uma fase diferente. Não sei se é uma nova época, não sei se vai ser curta ou não, espero que não seja assim tão curta, espero que seja mais dois ou três anos, mas não sei se desfruto mais. Acho que tenho mais perceção daquilo que estou a fazer, tenho mais perceção das emoções que estou a viver”, disse à Agência Lusa.

A experiência no Sri Lanka será, porventura, inesquecível, mas o algarvio assume que tudo começou quase por um acaso programático.

“O calendário tem sofrido várias alterações. A principal mudança que eu senti foi que o circuito ‘challenger’ deixou de ter tantas séries de torneios, ou seja, se quiser jogar um torneio na América do Sul, terei um em fevereiro, outro em março. E antes era possível fazermos uma sequência de dois, três, quatro torneios, no mesmo piso, na mesma zona do mundo. É fácil perceber que jogar uma semana na América do Sul, outra na Europa e a seguir ir para a Ásia, além de fisicamente provocar um desgaste enorme, economicamente também não é viável”, explicou.

Olhando para o calendário e assumindo que queria continuar a jogar em terra batida depois das boas sensações que o ‘challenger’ de Casablanca (Marrocos) lhe proporcionou, o 249.º jogador do ‘ranking’ ATP percebeu que rumar à ilha asiática era a única solução.

Tanto como as três finais que ganhou, na memória do número três português ficam as experiências vividas.

“Jantei muitas vezes com o jogador com quem joguei a final nas segunda e terceira semanas e tínhamos combinado: `amanhã, depois da final, vamos ver os elefantes´. Pensávamos que era mais perto, eram 90 quilómetros, era logo ali. Demorámos 02:30 horas para lá chegar, com um trânsito infernal e não havia autoestrada para aquela zona. Mas foi uma experiência muito engraçada. Depois, o último torneio, que estava previsto acabar no domingo, acabou no sábado, e não consegui alterar o bilhete de avião. Então peguei numa mochila e fui até ao sul da ilha. Devo ter andado uns 200 quilómetros e vi praias espetaculares”, contou.

Machado está a viver em pleno a maturidade alcançada nos 13 anos como profissional, uma maturidade posta à prova esta época com a ausência de um treinador.

“Ainda não solucionei esse assunto, já foi mais problema do que é hoje. Hoje, esse problema está bastante mais diluído na minha cabeça. As coisas têm corrido bem. Mantenho o mesmo preparador físico, portanto, aquilo que dou muita importância nesta fase da minha carreira, que é estar bem fisicamente, está garantido”, elucidou.

O tenista de Faro admite que, se aos 22 anos, não tivesse treinador não teria ficado tranquilo como está agora.

“É óbvio que também com 22 a experiência que se tem não é comparável à que tenho agora. Agora sei muito mais o que tenho de fazer, sou capaz de tomar decisões de forma lúcida”, assegurou.

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