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Desde os primórdios da história de Portugal que a devoção à Imaculada Conceição é uma realidade incontestada.

De facto, com fundamento nos mais antigos registos, podemos afirmar que, desde os meados do século XII, o culto à Imaculada Conceição se praticou em Portugal, com o início em Lisboa por volta de 1149, sendo bispo dessa cidade Gilberto Hastings, e uns anos mais tarde estendeu-se a Lamego.

Também sabemos que depois, à medida que Portugal se foi consolidando e expandindo pelo mundo, a veneração e a devoção à sua Senhora, Virgem Santa Maria, ia aumentando, como concretamente podemos recordar: Em 1320, a pedido do bispo D. Raimundo à rainha Santa Isabel, celebrou-se em Coimbra a primeira festa em honra da Imaculada Conceição.

Mais tarde, D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável, fundador da casa ducal de Bragança, mandou construir em Vila Viçosa, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, mandando vir da Inglaterra a respectiva imagem.

Convém referir, igualmente, que já no século XV e por iniciativa da portuguesa Santa Beatriz da Silva, o Papa aprovou a Ordem da Imaculada Conceição. Nesse mesmo século já existia em Matosinhos um mosteiro dedicado, precisamente, a Imaculada Conceição.

É de registar também que no século XVI o culto da Imaculada Conceição se espalhou pelo Brasil, graças à acção dos missionários portugueses…

Com a restauração da independência de Portugal em 1 de Dezembro de 1640 e com a proclamação de D. João, duque de Bragança como rei, o culto à Imaculada Conceição graças a acção dos Franciscanos e Jesuítas, foi deveras incrementado.

Logo no dia 8 desse mês e ano, o rei assistiu à festa em honra da Virgem Imaculada à qual desde então lhe deu um relevo maior e a distinguiu sobre as outras festividades celebradas em honra de Nossa Senhora.

Reuniram-se cortes entre Dezembro de 1645 e Março de 1646 e perante os 3 Estados da Nação: Clero, Nobreza e Povo, D. João IV proclamou Nossa Senhora da Conceição "Padroeira de Nossos Reinos e Senhorios".

É a partir desta altura que os reis e rainhas de Portugal deixam de ostentar coroa, já que a mesma fora oferecida à Imaculada Conceição. Em 1671, o Papa Clemente X confirma a eleição de Nossa Senhora Padroeira de Portugal.

É de relevar ainda que no dia 20 de Julho de 1646, na Universidade de Coimbra, foi determinado o juramento dos graduados "à Virgem Maria concebida sem pecado original".

Este juramento obrigava o corpo docente da Universidade de Coimbra a defender e a ensinar que Maria fora concebida sem pecado.

Séculos mais tarde, mais precisamente, em 1854 Pio IX, pela Bula "Ineffabilis Deus" definiu o dogma da Imaculada Conceição. Depois de ter consultado o episcopado do mundo inteiro, declarou solenemente, fazendo apelo à autoridade suprema do seu magistério: "A doutrina segundo a qual a Bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, foi por especial privilégio de Deus Omnipotente, com vista aos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, preservada imune de toda a mácula do pecado original, é revelada por Deus e deve por isso ser acreditada por todos os fiéis, firmemente e com constância".

Que nós, portugueses saibamos sempre honrar e venerar a nossa Padroeira Imaculada Conceição!…

Joaquim Mendes Marques

O autor deste artigo não o escreveu ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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