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A nova evangelização foi uma ideia-força, um conceito inovador lançado pelo Papa João Paulo II, logo no início do seu pontificado e foi um tema retomado por ele, vezes sem conta. Na linha da Evangelli Nutiandi de Paulo VI, João Paulo II desafiou os cristãos para a necessidade de uma nova evangelização, alertando desde logo que tal tarefa não seria uma "simples" re-evangelização, mas algo de muito mais exigente.

Agora o Papa Bento XVI, escolheu a Basílica de São Paulo, para durante as Vésperas da Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, anunciar a criação de um novo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização e logo nos dias seguintes foi anunciado o nome do seu primeiro Presidente, o Arcebispo Salvatore Fisichella. O novo organismo da Cúria romana, declarou o Santo Padre, terá "a tarefa principal de promover uma renovada evangelização nos Países onde já ressoou o primeiro anúncio da fé e estão presentes Igrejas de antiga fundação, mas que estão vivendo uma progressiva secularização da sociedade e uma espécie de "eclipse do sentido de Deus" que constituem um desafio a encontrar os meios adequados para voltar a propor a perene verdade do Evangelho de Cristo". Este diagnóstico é valido para Portugal e praticamente toda a Europa, como também para o Brasil e a América Latina em geral. O tema da nova evangelização aparece aliás, pela primeira vez no contexto da América Latina, nos quinhentos anos da evangelização daquele continente, com estas palavras de João Paulo II: "A comemoração de meio milénio de evangelização encontrará o seu significado pleno se for um compromisso vosso como bispos em conjunto com o vosso presbitério e com os vossos fiéis. Um compromisso de quê? Não certamente de uma re-evangelização mas sim de uma nova evangelização" e esclarece logo, evangelização "nova no seu ardor, nos seus métodos e nas suas expressões".

Para Bento XVI é necessário voltar a propor o Evangelho de Cristo aos homens, de modo que estes se convertam a Cristo, de verdade, e O coloquem no centro do seu coração, da sua inteligência e da sua vida, pois além do "eclipse de Deus" na sociedade, também em muitos crentes se nota que a fé não transforma a vida, nem se transforma em vida, porque não é inteiramente acolhida nem interiorizada e tal deriva de uma deficiente escuta da Palavra de Deus.

A escuta orante da Palavra de Deus, o estudo da Sagrada Escritura, estudo não para conhecimento científico, histórico ou literário, mas numa perspectiva vivencial, são uma evidente prioridade pastoral, que a Lectio Divina proporciona a todos aqueles que queiram abrir-se ao mistério de Deus. A promoção da nova evangelização passará também, um pouco por aí, pela redescoberta da Palavra de Deus, de modo a que ancorados na Palavra e por ela iluminados, nos possamos converter a uma vida de santidade, uma vida transformada e transformadora.

É assim grande a expectativa em relação às propostas e orientações pastorais que futuramente poderão ser difundidas pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. Esta foi uma decisão de grande alcance tomada pelo Papa Bento XVI. Muitas têm sido as iniciativas de várias Dioceses para lançar uma nova evangelização. Tenho como tais, por exemplo, o nosso projecto diocesano "Advento 2000", que durante cinco anos levamos a cabo aqui no Algarve; o Congresso Internacional para a Nova Evangelização que se realizou em Lisboa ou a Missão 2010 – corresponsabilidade para a Nova Evangelização que decorre actualmente no Porto, mas essas e outras iniciativas diocesanas e interdiocesanas, poderão ser potenciadas, quanto mais alargadas e abrangentes forem as acções, as linguagens, as propostas e os projectos pastorais, a nível de continente Europeu, por exemplo. Sem directamente o pretender ou visar, a criação deste novo Conselho Pontifício, foi talvez a maior homenagem que se poderia ter prestado à memória e ao legado de João Paulo II.

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