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Já mais do que uma vez aqui, nestas colunas, nos temos referido à política e às qualidades dos verdadeiros políticos. Queremos, hoje, voltar ao problema para, nesta reflexão, incidirmos, sobretudo, na seriedade de que a actividade política se deve sempre revestir. Porém, o pressuposto que deve estar subjacente a qualquer análise sobre a realidade política é, sem dúvida, a de que a política é um serviço.

Aqui radica, igualmente a característica principal da verdadeira política, a seriedade.

Sim, senhores, não é brincadeira governar a “cidade terrestre”, daí o sentido de responsabilidade em todas as atitudes dos políticos… Um autêntico político não é mentiroso, um autêntico político não deve ser um troca-tintas, um autêntico político não odeia os seus adversários, discorda deles, tem opiniões diferentes e até diametralmente opostas, mas isso não invalida o respeito que deve manifestar para com todos aqueles que não concordam com as suas ideias… Essa grande virtude que é a seriedade deve ser cuidadosamente cultivada por todo aquele que se dedica, com sinceridade, à actividade política.

Esta sinceridade tem que ir desde as palavras às acções, passando pelos métodos seguidos, incluindo as atitudes assumidas quer na praça pública, quer em meios restritos… E quando eleito e revestido de autoridade não a pode nem deve usar como um privilégio pessoal porque, no fim de contas, ele não é dono de coisa nenhuma, ele, quanto muito, é administrador da «coisa pública» e isto, quer se trate de uma região ou mesmo de uma simples autarquia…

Quando, pois, qualquer político é eleito ou escolhido democraticamente para exercer esta ou aquela função em prol de bem comum, deve convencer-se e agir sem orgulhos e sem desprezar os outros. E mais; um verdadeiro político não é intransigente e muito menos se deve considerar a si mesmo como infalível. Político que não admite erros, político que julga tontos todos os outros pares ou adversários, mais tarde ou mais cedo, perderá a confiança daqueles que o elegeram. É a própria História que no-lo comprova. De qualquer maneira, se, por um lado, os políticos devem respeitar todos os eleitores, também estes e, de um modo geral todo o povo, deve considerar a actividade política como coisa digna e necessária e colaborar, sem subserviência, como é evidente, com todos os verdadeiros políticos que, verdadeiramente se empenham em promover o bem estar e o progresso da comunidade. É neste binómio de compreensão e respeito que os povos e as sociedades se devem reger.

O autor deste artigo não o escreveu ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Joaquim Mendes Marques

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