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Por várias vezes, em conversas havidas com pessoas que até se dizem católicas, ouvimos negar a existência do Inferno, apresentando as mais banais e inconsistentes objecções.

De facto, nos tempos que correm, este lema é desagradável tratar e daí muitos pregadores e responsáveis por sectores da evangelização o omitirem. Deste modo, cai-se, hoje, no contrário do que sucedia em tempos passados, em que muitos pregadores o situavam como tema central de suas pregações.

Hoje, porém, evitando aquelas atitudes ameaçadoras, aqueles exageros aterrorizantes, o verdadeiro profeta, o que recebeu a missão de evangelizar não poderá deixar de reflectir aquela realidade, pois, ele não pode prescindir de todo os ensinamentos e palavras de Jesus quer as fáceis quer as difíceis, quer as agradáveis ou desagradáveis, sempre escudo, está claro, na palavra infalível da Sagrada Escritura.

Por isso, procurando evitar grandes rasgos apologéticos, as provas da existência do inferno hão-de ser expostos, serenamente, com as palavras de Jesus.

De facto, o Senhor Jesus fala trinta e duas vezes desta realidade que, embora misteriosa e terrível, existe ainda que com pontos obscuros e difíceis de entender.

Jesus diz, textualmente, que existe um fogo eterno, que é a separação de Deus, que é um lugar de maldição e que é lugar de tormentos…

São bem expressivos as imagens bíblicas e que Jesus utiliza como por exemplo: geena de fogo, forno de fogo, ranger de dentes, fogo eterno, trevas exteriores, abismo, tanque de fogo e verme que não morre…

A este propósito diz S. João Crisóstomo “não devemos andar a perguntar e a investigar onde está (o Inferno), mas como fugir dele”.

E uma vez que existe uma relação íntima entre pecado e inferno, daí que o não pecar ou arrepender-se sinceramente por ter pecado, é o meio e o caminho certo para se evitar o afastamento definitivo de Deus e da felicidade eterna.

É certo que, por um lado, Deus é infinitamente misericordioso, mas, pelo outro, criou-nos livres, com o poder de escolhermos o nosso destino, com a possibilidade de podermos ver o que é melhor e escolhermos o pior, muito embora Ele nos proporcione sempre os meios necessários às escolhas certas que levam à salvação…

É por isso que todos os que devem falar do mistério do Inferno, o façam na perspectiva de um apelo à conversão, ao regresso à Casa do Pai.

Joaquim Mendes Marques


O autor deste artigo não o escreveu ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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