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NAS comemorações do centenário da implantação da República Portuguesa, e a quando da visita do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, no desfile e homenagens do 10 de Junho 2010, em Faro, a Diocese do Algarve abriu as portas do Paço Episcopal para a oportunidade que o Museu da Presidência da República se deslocasse a Faro, integrando a exposição “Fotógrafos e Fotografias dos Presidentes da República”.

Com este acto simbólico podem calar-se as vozes que não entendem as palavras do presente, entre a República e Igreja.

Bento XVI, quando visitou o palácio de Belém, em visita a Portugal, entendeu o tempo dos entendimentos: República Portuguesa e o Estado do Vaticano.

Desde o 25 de Abril de 1974, construiu-se em diplomacia política e religiosa as responsabilidades de dois Estados soberanos de grandes tradições históricas e responsáveis, como afirmou o papa, em Maio passado, na Casa da República Portuguesa: De facto a cultura reflecte hoje uma “Tensão”, que por vezes toma forma de conflito, entre o presente e a tradição.

A dinâmica da sociedade absolutiza o presente, isolando-o cultural do passado e sem a intenção de delinear um futuro. Mas tal valorização do “presente” como fonte inspiradora do sentido da vida, individual e em sociedade, confronta-se com a forte tradição cultural do povo português, com um sentido global, afirmado na aventura dos Descobrimentos e no entusiasmo do missionário.

Evocar o Centenário da República Portuguesa, numa sociedade mais justa e num futuro melhor para todos.

A Exposição aberta no Paço Episcopal é um documento valioso que percorre um século nos períodos históricos que vão da Primeira República 1910/1926 – ao interregno, com a ditadura de 1926/1974. Todos os presidentes lá estão representados nos três tempos políticos de um século. Os presidentes e famílias reais estrangeiros que visitaram Portugal.

É um estudo nos comportamentos sociais da alta hierarquia portuguesa; a diplomacia em imagens. O fausto das recepções, em que a riqueza da indumentária e de joalharia, contrastava no viver da sociedade produtiva, nas décadas sucessivas do século XX.

Os fotógrafos e seus modelos de maquinaria, que vão das primeiras do último quartel do século XIX, ao início do século XXI. Lembramos a riqueza do mostruário fotográfico com a Instantograph Lancaster – 1894, Pony Premo 2 — 1896 , Kodak – 1899 e 1900, Browmie six-20 Especial — 1938 , à Brownie B —1958, etc, etc.

Quanto aos presidentes algarvios vamos aos que têm a história do tempo. Comecemos pelo Portimonense Manuel Teixeira Gomes nasceu a 27 de Maio de 1860 e faleceu a 18 de Outubro de 1941, em Bougie (Argélia). Vem na sua juventude escrevendo e solidário com os movimentos democráticos que a república vinha imbuída. Logo após a implantação (1911), segue para Londres, em diplomacia pelo reconhecimento internacional do novo modelo político de Lisboa. Preso e destituído pela ditadura de Sidónio Paes, com o assassinato deste, em Dezembro de 1918, regressa à diplomacia, em Madrid, seguindo de novo para Londres, onde fica até à sua eleição para a Presidência da República. Teixeira Gomes chega a Lisboa a 6 de Agosto de 1923 para, perante os 193 congressistas o elegerem, entre Bernardino Machado, Duarte Leite, Augusto Soares e Magalhães Lima. Foi a personagem do consenso político do tempo conturbado, no viver dos portugueses. Jurou respeitar a Constituição da República Portuguesa. E, nessa devoção foi até que chegou ao limite do seu compromisso. Abandonou a “gaiola dourada”, como chamou ao palácio de Belém, e partiu para o seu exijo voluntário. A ditadura esprei-tava-o, caluniando um dos homens mais democratas da história da República, que passou por Belém. Homem culto, iniciou os seus estudos no Seminário de Coimbra. Abandonando os estudos, já universitário de medicina. Jurou não mais regressar à sua Pátria. Trouxeram-no, depois de morte, durante o consulado de Salazar, para a sua Portimão.

Em Março de 2006, o governo da Argélia inaugurou uma estátua ao português, presidente e escritor, Manuel Teixeira Gomes. 1

O Louletano, José Mendes Cabeçadas Júnior, nasceu no concelho de Loulé, em 1883 e faleceu em Lisboa – 1965. Na noite de 4 de Outubro de 1910, Cabeçadas, oficial da Marinha Portuguesa, assumiu o comando do Cruzador “Adamastor”, dando o sinal para iniciar a revolta.

Descontente com a evolução política e partidária na 1.ª República, Mendes Cabeçadas preside ao” comité” que prepara a revolução do 28 de Maio de 1926, abrindo as portas à ditadura militar, tornando-se a alma impulsionadora da sua vitória. Durou pouco tempo o seu lugar de presidente da república do 28 de Maio. O general Gomes da Costa assume o poder, obrigando o Louletano a assinar a sua demissão de todos os cargos assumidos. 2

Deixámos o historial do terceiro Presidente da República, dos naturais do Algarve, António Aníbal Cavaco Silva, dado que a sua presidência está actual, se bem que o inclua no meu trabalho, Louletanos do Século XX, numa edição do Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Loulé.

No passado dia 12 de Setembro as portas do Paço Episcopal de Faro, encerrou a Exposição.

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1 “Manuel Teixeira Gomes – Um Algarvio na Presidência da República”- Edição do Magazine J.A. – T. Neto

2 “Louletanos do século XX” T. Neto – Edição – Arquivo Histórico – Loulé

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