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Abrigo para vítimas de violência doméstica existe no Algarve desde 1999

No Algarve, existe desde 1999 uma casa de abrigo para vítimas de violência doméstica, onde chegam casos de mulheres que conseguiram trazer à tona uma motivação maior para saltar de relações violentas.

“’Quero é começar a trabalhar’, é uma das grandes motivações porque muitas mulheres que aqui chegam estão desempregadas e é isso um dos problemas – o agressor faz questão que a dependência económica seja uma realidade. Ter uma casa, começar uma vida de novo e salvar os filhos são também motivações”, conta à Agência Ecclesia Isabel Santos, diretora técnica desta casa.

Com capacidade para acolher 14 mulheres, ali chegam na sua maioria “vítimas de violência física, económica, psicológica e sexual”, quase sempre com baixo nível de escolaridade.

“As idades das vítimas variam muito, temos mulheres com 20 até aos 60 anos, mas chegámos a ter um pedido de uma senhora de quase 80 anos, devido a violência doméstica por parte de um filho”, afirma a diretora técnica.

Isabel Santos explica o funcionamento da casa onde todas cozinham, “tratam da casa e da roupa para que aquelas mulheres consigam gerir depois uma casa” já que se pretende que seja um tempo de aquisição de competências e afastamento de medos.

“Talvez à noite, quando se vão deitar, estas vítimas pensam pelo que passaram, estão a passar e todas as mudanças que acontecem, fazem a retrospetiva da vida e esse deve ser o pior momento do dia.

Há medos extremos: de aparecer o agressor, de saber onde está… há mulheres que integramos aqui porque os agressores descobriram onde estavam. Elas próprias contam que ‘ele não vai desistir, tem muitos conhecimentos, conhece gente na GNR, na Segurança Social ou no Tribunal”, afirma.

As noites da vida porque passam… O medo e a insegurança são fatores que levam muitas mulheres a se acomodarem em relações violentas onde os agressores vêm de “famílias disfuncionais e transmitem para o seu agregado familiar a violência, o mau estar e a disfuncionalidade que já tinham nas famílias deles porque não conheceram outras realidades. Muitas são situações de álcool”, conta a responsável.

Os relatos que chegam às conversas com Isabel Santos, diretora técnica da casa há um ano, trazem quase sempre uma “realidade de limitação às mulheres”: os agressores são possessivos e “não querem que as mulheres trabalhem fora de casa”, por exemplo.

Esta é uma realidade que as mulheres conseguem reverter depois de se desprenderem da má experiência e definirem o que pretendem para a nova vida.

“Temos situações em que elas assinam um termo e saem da casa de abrigo para retomar a vida como entenderem, mas, na maioria, saem desta casa autónomas e integradas. Aqui no Algarve é fácil integrar no mercado de trabalho apenas a integração habitacional é muito difícil; temos mulheres que saíram ao fim de seis meses, mas há outras que conseguem sair ao fim de três ou quatro meses”, explicou Isabel Santos.

O ambiente da casa pretende que haja conversa e partilha de experiências entre as mulheres e seus agregados familiares, “acabam por ser suporte umas das outras”.

A diretora técnica desta casa abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica aponta ainda o dedo a situações delicadas que põem em causa a segurança das vítimas por processos burocráticos.

“Quando entram aqui agregados com crianças são avançados os processos de responsabilidade parental, divórcio e queixa-crime, os três em simultâneo.

Os processos de responsabilidade parental colidem com os processos-crime; tentamos o sigilo para segurança das mulheres, mas o que acontece é que o próprio tribunal quer saber onde está a mulher por causa das crianças e até já houve mesmo transferências de vítimas por segurança devido a esta realidade. Defendo que devia haver maior cuidado ao nível de identificação das moradas destas senhoras”, rematou.

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