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Decorre este ano o centenário do historiador Joaquim Alberto Iria Júnior (A.I), autor da mais ampla historiografia do Algarve, no século XX.

Iria nasceu em Olhão, a 27 de Dezembro de 1909. Naturalmente, filho e neto de gente marítima, foi crescendo junto à Ria, “na casa do avô paterno, perto do moinho do Levante, ou a correr na praia local, a dar forma aos sonhos de menino” (1). Estudou em Faro, continuando os estudos e os esforços familiares para sustentarem a vontade de ser historiador e académico. Longo foi o percurso deste destacado algarvio que exerceu o cargo de bibliotecário-arquivista do Ministério das Obras Públicas; já passara pela Direcção doa Palácios e Monumentos Nacionais (Zona Monumental de Leiria); chefe da Divisão de Documentos da Secretaria Geral do Ministério da Habitação e Obras Públicas, que abrangia a Biblioteca Central e Arquivo Histórico do mesmo ministério, etc, etc.

Em 1994, dois anos após o falecimento do ilustre historiador olhanense, a Academia Portuguesa da História homenageou o seu membro, na presença dos Académicos Mérito: Dário Castro Alves (brasileiro) e Manuel Sande Lemos. Académicos de Número: António Dias Farinha Fr. Francisco Leite de Faria, Francisco Santana, José Pedro Machado, Justino Mendes de Almeida, Manuel Farinha dos Santos, Mário Nunes Costa, Pedro da Cunha Serra e Roberto Gulbenkian O elogio coube aos Académicos Mário Alberto Nunes da Costa, Justino Mendes de Almeida e o Presidente da Academia Joaquim Veríssimo Senão. Ainda a Autarca convidada, presidente da Freguesia de Olhão, D. Conceição Pires.

Transcrevemos do Elogio do Presidente da Academia, produzido no palácio da Rosa, sede da Academia Portuguesa da História, o último capitulo:

“Se nos deixou com pena da vida, também nós lembramos o irmão Joaquim Alberto na profunda amizade com que ele nos enriqueceu. Evocamo-lo com a gratidão que ele merece de todos os que o conheceram e amaram, e que somos todos nós e os demais que nesta hora estão connosco em espírito. Bendito seja o nome do irmão Joaquim Alberto para todo o sempre! Termino com o voto de que a sua alma repouse junto de Deus. Esta Academia revê-se no exemplo do Dr. Joaquim Alberto Iria Júnior e orgulha-se por o haver tido e como um notável servidor de historiografia portuguesa, nosso Presidente de Honra.

Foram abundantes os subsídios para uma bibliografia do Historiador Alberto Iria, desde 1931 a 1991. Foram sessenta anos a estudar a investigar, a publicar, a produzir conferências. Muitos inéditos estão para publicar.

Cronologia de alguns estudos publicados sobre a História do Algarve:
1936 – Do Algarve ao Brasil no caíque “Bom Sucesso”-em 1808.
1939 – D. Francisco Gomes de Avelar-Arcebispo do Algarve.
1940 – Os Pescadores de Tavira em 1282
1942 – Memórias Eclesiásticas: A mudança da Sé de Silves para Faro 1539 – 1577
1943 – Junot-Invasão Francesa no Algarve.
1962 – Faro e a sua Gente na Epopeia do Infante D. Henrique.
1969 – O racismo português na Ilha de S. Tomé e Príncipe século XV.
1970 – A Universidade de Coimbra no arquivo Histórico Ultramarino.
1976 -Da Importância do Algarve na Defesa Marítima de Portugal nos séculos XV ao XVIII.
1977 – Ama e Sempre João de Deus.
1980 – D. Jerónimo Osório, Estácio da Veiga, Manuel Teixeira Gomes, Julião Quintinha.
1990 – O Algarve nas Cortes Medievais.
As Caravelas do Infante e os Caíques do Algarve.
1993- As Livrarias Reais portuguesas – Desde D. Afonso Henriques a D. Manuel II.

P.S. Amanhã, dia 16 Janeiro, na Biblioteca Municipal António Ramos Rosa – Faro, a Associação Cultural APOS homenageia o Historiador Alberto Iria, pelas 15 horas.

(1) Do elogio do Académico Mário Alberto Nunes Costa

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