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O dia 20 de Fevereiro é para mim, desde o ano dois mil, um dia importante no calendário. Foi nesse dia que fui ordenado diácono, o que significa que este ano ocorreu o décimo aniversário da ordenação dos primeiros diáconos permanentes do Algarve.

Nesse ano jubilar dois mil, no dia 13 de Maio, o Papa João Paulo II, em Fátima, beatificou os pastorinhos Francisco e Jacinta e marcou a respectiva festa litúrgica no dia 20 de Fevereiro. Mais uma razão para alegrar o nosso dia 20 de Fevereiro, e logo desde o primeiro aniversário da nossa ordenação, os diáconos do Algarve associaram ao seu aniversário a celebração da festa dos pastorinhos…

Este ano, ao celebrarmos o décimo aniversário de ordenação, tivemos a grande alegria de passar o dia reunidos com os nossos Bispos, com o Bispo diocesano D. Manuel Neto Quintas, que curiosamente também completará no próximo dia 3 de Setembro dez anos de ordenação episcopal, e com o Bispo emérito D. Manuel Madureira Dias, que há dez anos nos ordenou e que veio propositadamente de Évora para estar connosco neste dia. No final do dia tivemos a alegria de voltar à Igreja Paroquial de São Luís de Faro, onde há dez anos fomos ordenados, para participarmos na Eucaristia.

Só não esteve presente o Diácono Joaquim Mendes Marques, anterior Director da Folha do Domingo, que por razões familiares está actualmente viver no Funchal. De manhã, ainda cedo, o Marques telefonou-nos e transmitiu-nos os seus sentimentos de comunhão fraterna. Mal imaginávamos o que estava ainda para acontecer nesse dia na Madeira. A meio da tarde chegou-nos a notícia da tragédia que se abateu sobre o Funchal e outras localidade daquela Região Autónoma. Todas as tentativas para entrar em contacto com o Marques foram infrutíferas. Fomos para a Eucaristia, com o coração perturbado pelas notícias de dezenas de mortos, feridos e desaparecidos, sempre a pensar como estaria o nosso Colega e s sua família. Só no dia seguinte, conseguimos voltar a ouvir a voz do Marques. Estava tudo bem com ele e com a família, apesar de não ter água e luz em casa e de alguns prejuízos materiais.

O que aconteceu na Madeira, no passado dia 20 de Fevereiro, foi uma tragédia. Todos pudemos ver as imagens do caos na televisão. Mais de quarenta vidas humanas se perderam, a baixa do Funchal destruída, as estradas e as vias públicas obstruídas e intransitáveis, pontes caídas, montanhas de pedras, lodo, entulho e muita destruição, tudo em consequência da força incontrolável das águas que galgaram os seus leitos e invadiram as avenidas, as ruas e as estradas com grande violência.

Quando estávamos na missa de acção de graças pela nossa ordenação diaconal, pensávamos naquele povo da Madeira, que estava a viver naquele preciso momento uma grande adversidade; povo de grande fé, que vive o Advento e prepara o Natal de uma forma única no mundo, com as célebres "missas do parto", celebradas de manhã muito cedo, ainda de madrugada; pensávamos no "nosso" Marques e na "sua" Guida, quando de repente, quase que por associação de ideias, nos veio à mente a pessoa do Bispo do Funchal, o algarvio D. António Carrilho, que tivemos a alegria de acompanhar no dia da sua tomada de posse como Bispo da Madeira e sentimos ainda mais o peso da proximidade. O Algarve, é a região de Portugal continental que mais próxima fica da Madeira… mas, mais forte que a proximidade geográfica é a proximidade espiritual, e a Igreja do Algarve, nesta hora difícil para os madeirenses, não pode esquecer que o actual Bispo do Funchal é um algarvio.

Tudo razões acrescidas, para que o Algarve e particularmente os cristãos do Algarve sejam especialmente solidários com os madeirenses. Por isso, vamos ajudar a Madeira, vamos ser solidários com os nossos irmãos da Madeira. Poderemos canalizar os nossos donativos através da Caritas do Algarve que os fará chegar à Caritas do Funchal.

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