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Depois de terem peregrinado por Angola, Polónia e Espanha, os símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) – a cruz e o ícone de Nossa Senhora – chegaram na passada sexta-feira à noite à Diocese do Algarve para iniciar uma peregrinação de dois anos em Portugal.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Trazidos de Ayamonte, na vizinha Diocese de Huelva (Espanha), de barco pelo rio Guadiana, numa passagem simbólica, chegaram ao porto de Vila Real de Santo António e foram desembarcados em ambiente de festa com cânticos espanhóis ao som de flautas e bombos e entregues ao presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023, D. Américo Aguiar, ao bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, que os passaram de seguida aos jovens algarvios presentes em grande número em representação de várias paróquias da diocese.

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Missa de despedida em Ayamonte – Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Antes, os dois bispos, acompanhados pelo padre Filipe Diniz, responsável nacional pela peregrinação dos símbolos e diretor do Departamento Nacional de Pastoral Juvenil, concelebraram na eucaristia de despedida, presidida pelo bispo de Huelva, D. Santiago Gómez Sierra, que decorreu na igreja paroquial de Nossa Senhora das Angústias.

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Padre Agostinho Pinto, pároco de Vila Real de Santo António – Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Chegados a Vila Real de Santo António os símbolos foram levados em procissão até à Praça da República, onde decorreu a cerimónia de boas-vindas. Ali, o pároco local manifestou o regozijo por Vila Real de Santo António ser a primeira comunidade paroquial em Portugal a acolhê-los. “Percorramos o mesmo caminho de Cristo, animados pelo seu Espírito e ao estilo da sua mãe”, pediu o padre Agostinho Pinto.

Chegada_simbolos_jmj_vrsa-30O presidente da Câmara Municipal disse que “Vila Real de Santo António acolhe com enorme orgulho e devoção os símbolos” da JMJ e lembrou a história daquela cruz. “É por isso, que tanto nos orgulhamos de acolher estes símbolos da paz, do amor e da fraternidade”, afirmou Álvaro Araújo, realçando aquela iniciativa como “expressão da Igreja universal e um momento de evangelização dos jovens”.

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João Costa, delegado diocesano ao Comité Organizador Local da JMJ – Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O delegado diocesano ao Comité Organizador Local (COL) da JMJ apelou à presença na Jornada Diocesana da Juventude (19, 20 e 21 de novembro em Monchique), onde também estarão os símbolos, e no próximo encontro ‘Rumo ao 23’ (23 de novembro em Lagos). João Costa desejou que aquela peregrinação possa “fazer a diferença” na diocese algarvia e no país e que a JMJ “seja mesmo um dom” para toda a Igreja. “Todo este caminho é muito importante para que a JMJ não seja um mero acontecimento, algo interessante, durante uma semana ou um mês até, mas que passou. Podemos correr esse risco se esta preparação não for feita”, acrescentou em declarações à Agência Ecclesia.

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Padre Raúl Tinajero, diretor do Departamento de Pastoral da Juventude da Conferência Episcopal Espanhola – Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O diretor do Departamento de Pastoral da Juventude da Conferência Episcopal Espanhola, que também acompanhou a passagem dos símbolos, agradeceu à Conferência Episcopal Portuguesa pela oportunidade de os mesmos terem estado dois meses em Espanha. “Foi uma verdadeira bênção para voltar a incentivar os nossos jovens a aproximarem-se de Cristo”, afirmou o padre Raúl Tinajero, que agradeceu ainda às dioceses portuguesas que acolherão os jovens espanhóis durante os dias das pré-jornadas. “Asseguramos-vos que viremos não muitos, mas muitíssimos jovens de Espanha. Viremos partilhar com todos vós a alegria da fé”, disse. Por fim, agradeceu ao Comité Organizador português por ter aceitado organizar a JMJ 2023. “É uma verdadeira missão para Portugal e para toda a Península Ibérica porque nos sentimos todos irmãos na mesma fé. Vamos vivê-la em Espanha como se também fosse nossa”, assegurou.

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Padre Filipe Diniz, responsável nacional pela peregrinação dos símbolos e diretor do Departamento Nacional de Pastoral Juvenil – Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O padre Filipe Diniz agradeceu a “receção fantástica” da Diocese do Algarve e ao padre Raúl Tinajero por ter aceitado a peregrinação em Espanha. “Foram 54 dias em que os símbolos estiveram em Espanha, chegou quase a 50 dioceses. Foi uma grande peregrinação, preparada com muito entusiasmo, e que desta forma tão bela e tão bonita nos confiaram, a nós portugueses, os símbolos”, afirmou, acrescentando: “acreditamos que esta experiência dos símbolos em Portugal vai ser transformadora para todos os jovens deste país e acredito vivamente que vai ser uma grande experiência aqui na Diocese do Algarve. Acredito que vai tocar o coração de todas as pessoas”. Em declarações à Agência Ecclesia garantiu que “toda a preparação está a acontecer” com todos os responsáveis diocesanos “a preparar os seus itinerários para as suas próprias dioceses”.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

D. Manuel Quintas manifestou o seu contentamento por aquele acontecimento. “É com muita alegria que acolhemos os símbolos da JMJ no Algarve. Queremos, a partir de hoje, iniciar esta peregrinação espiritual, iluminados pela luz desta cruz, pelo amor que ela representa. A cruz para nós é fonte deste amor, faz de nós irmãos. A cruz uniu as duas margens, uniu Ayamonte a VRSA, a Diocese de Huelva à Diocese do Algarve, Espanha a Portugal”, afirmou, desejando: “que bom que seria, que neste mês em que os símbolos da JMJ vão estar no Algarve, fossem para todos nós apelo a crescermos em fraternidade, a crescermos como irmãos”. Em declarações à Agência Ecclesia, o bispo do Algarve explicou que a “peregrinação espiritual” deverá fazer dos algarvios “peregrinos ao encontro de Cristo” e lembrou que a passagem dos símbolos na diocese “coincide com o Lausperene e com a mobilização provocada pelo Sínodo”. “Estou convicto de que a passagem dos símbolos nos vai ajudar também a responder a estas iniciativas”, concluiu.

Após a receção dos símbolos e do jantar, seguiu-se a vigília de oração (tal como a receção, transmitida em direto pelo jornal Folha do Domingo na sua página no Facebook) na igreja matriz, presidida por D. Américo Aguiar, que teve início com a entronização dos símbolos. Os jovens foram depois convidados a depositar objetos seus aos pés da cruz.

No final da celebração que acabou em festa, o bispo do Algarve pediu ainda aos jovens que se deixam “contagiar por Cristo”. “Que a passagem dos símbolos da JMJ constitua para vós um apelo muito grande a deixar-se amar, guiar e seduzir por Cristo. Apaixonai-vos por Cristo como Ele sente essa paixão de amor por vós”, afirmou, pedindo que contagiassem os colegas de escola para fazer a experiência de encontro com os símbolos da JMJ.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Os símbolos seguem agora, segundo o itinerário já divulgado, até ao dia 27 de novembro pelas quatro vigararias que constituem a diocese algarvia. No último dia serão levados até Mértola, onde serão entregues, pelas 13h30, aos representantes da vizinha Diocese de Beja.

A Cruz da JMJ foi entregue pelo Papa João Paulo II aos jovens em abril de 1984 e marcou o início de uma peregrinação da juventude de todo o mundo; em 2000, o mesmo pontífice confiou aos jovens uma cópia do ícone de Nossa Senhora ‘Maria Salus Populi Romani’.

com Agência Ecclesia

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